ENTREVISTA. Orlando Luz elogia João Sousa: «Ele é muito boa gente e muito engraçado»
Tal como o número um português João Sousa, o brasileiro Orlando Luz mudou de vida e deixou o seu país para começar a treinar na BTT Tennis Academy, em Barcelona, Espanha. Desde então, o sucesso tem sido evidente – uma subida significativa no ranking ATP até ao 370.º posto e ainda bons resultados em eventos em que participa -, com esta mudança a ser o primeiro passo para cumprir o objetivo de treinar com jogadores de elite, entre os quais João Sousa.
O jovem de 20 anos deu uma entrevista exclusiva ao seu site de ténis e abordou vários temas, entre os quais a sua relação com Sousa, bem como as alterações recentes no circuito ATP e na Taça Davis.
Bola Amarela (BA) – Como é que começou o teu gosto de jogar ténis e de seguir o ténis profissional?
Orlando Luz (OL) – Começou a acompanhar o meu pai, que é professor de ténis. Eu ia sempre para o clube com ele, desde os meus três anos de idade, brincava à volta dele com as bolinhas e as raquetes. Até que um dia, comecei a treinar com ele. O meu pai treinou-me até aos 14 anos de idade.
BA – Chegaste a ser número um mundial de juniores em 2015. O que foi mais difícil na transição para os seniores?
OL – Quando comecei a jogar no circuito profissional, percebi que meus adversários eram mentalmente mais fortes. Eles também eram mais fortes fisicamente, mas a parte mental era diferente.
BA – O teu percurso está a ser idêntico ao do português João Sousa, que também saiu do seu país para Espanha e treinar na BTT Tennis Academy. Por que razão decidiste ir para essa academia?
OL – A decisão foi tomada a partir de uma parceria da Confederação Brasileira de Ténis – CBT – com a academia BTT em Barcelona. O principal motivo é ficar mais próximo dos torneios e poder treinar com mais tenistas de elite. É mais fácil treinar com eles estando na Europa.
BA – O João Sousa mudou-se para Barcelona e para a BTT aos 15 anos e tu aos 20. Achas que, para ti, foi a altura certa ou consideras que deverias ter tomado essa decisão mais cedo?
OL – Cada um tem o seu tempo. Talvez eu pudesse ter ido mais cedo, sim, mas a questão financeira influenciou muito. É muito caro para um brasileiro manter-se na Europa. Consegui ir para Espanha agora porque a CBT me deu a oportunidade.
BA – Como é a tua relação com o João Sousa dentro e fora do court? Acredito que já tenhas treinado várias vezes com ele…
OL – A minha relação com o João é muito boa! Ele é muito boa gente, muito engraçado, dou-me muito bem com ele, dentro e fora do campo. É sempre muito bom treinar com ele, está sempre a dizer piadas. O João faz muito bem à academia.
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BA – O que é certo é que desde que estás a treinar na academia tens vindo a subir no ranking, com a entrada no top 400. O que é que está a ser diferente agora em Espanha comparando com os treinos no Brasil?
OL – O trabalho com o Leonardo Azevedo é diferente do que já fiz no Brasil. Fizemos um trabalho mental muito forte este ano, o Leo conseguiu extrair o melhor de mim. Acho que a preparação física também foi essencial para fazer um ano bom. Consegui passar um ano praticamente sem lesões. Estou muito feliz com essa mudança.
BA – Ainda és muito jovem. Tens apenas 20 anos. Quais são os teus objetivos a curto e longo prazo no ténis profissional?
OL – A curto prazo, fazer mais alguns ajustes no meu jogo e disputar mais torneios de nível Challenger, para dar mais um salto no ranking. Depois, continuar a trabalhar para ver até onde posso chegar.
BA – O que conheces de Portugal, para além dos torneios que já jogaste cá? E dos jogadores portugueses?
OL – Conheço pouco de Portugal! Fui a Portugal pela primeira vez este ano, no torneio future do Porto. Cheguei até às meias-finais e fui campeão de pares com o Felipe Meligeni Alves, por isso só tenho boas recordações!
Gostei muito, a comida é ótima e as pessoas são incríveis. Relaciono-me bem com os jogadores portugueses que conheço, como o João Sousa, o Gastão Elias que também é meu amigo, o João Domingues, o Pedro Sousa… são jogadores com quem convivo bem no circuito.
BA – Há jogadores com ligações ao Brasil, nomeadamente o Gastão Elias: a esposa é brasileira, Isabela Miró, e também o português Gonçalo Oliveira viveu alguns anos no Brasil. Quais são as vantagens e desvantagens de treinar no Brasil?
OL – O Brasil é um lugar muito bom para morar. Tem lugares muito bonitos e, claro, é onde estão a minha família e amigos. O grande problema de treinar no Brasil é que é muito longe da maioria dos torneios, por isso viajar para jogar torna-se muito caro. Essa viagem prejudica os treinos e, por passar muitas semanas seguidas a competir – já que é necessário aproveitar o dinheiro da passagem -, o jogador acaba por se lesionar.
BA – O circuito ATP tem sido alvo de várias alterações. Qual a tua opinião sobre elas, nomeadamente também sobre as alterações recentes na Taça Davis?
OL – Ainda não tenho uma opinião formada. Foram muitas alterações na ATP e ainda não compreendi todas as mudanças, então só poderei opinar no próximo ano.
Sobre a Taça Davis, é uma perda muito grande. Todos os meninos da minha idade que já sonharam em jogar a Davis em casa tiveram esse sonho destruído. Era algo com o qual eu sonhava muito, mas agora não terei a oportunidade de concretizar. Nunca mais poderemos jogar a Taça Davis em casa, com o calor do nosso público, que era emocionante.
Questionário Bola Amarela
– Ídolo de infância no ténis? Guga Kuerten
– Ídolo sem estar relacionado com o ténis? Não me consigo lembrar de alguém agora
– Pancada preferida no ténis? Direita
– Cidade favorita? Balneário Camboriú, no Brasil
– Dia ou noite? Dia
– Praia ou neve? Praia
– Carne ou peixe? Carne
– Música ou cinema? Os dois [risos]
– Ganhar um título do Grand Slam ou ser número um do Mundo? Que escolha difícil! Acho que ser número um do Mundo
– Modalidade favorita para além do ténis? Gosto muito de futebol
– Jogadora mais bonita no circuito WTA? Ela acabou de se retirar, a Ana Ivanovic
– Melhor amigo no circuito? Marcelo Zormann
– Jogador português com quem te relacionas melhor? Vários! João Sousa, Gastão Elias, Pedro Sousa, João Domingues
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