Guga Kuerten: «Sentimo-nos perto do menino Federer, do garoto que vi nos juniores»

Por Pedro Gonçalo Pinto - Setembro 30, 2022
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Gustavo Kuerten não deixou passar em branco a despedida de Roger Federer. À margem de um evento da Lacoste Relógios, o antigo número um do Mundo e lenda do ténis brasileiro falou sobre esse adeus do suíço, garantindo que a mítica figura de Federer se humanizou em Londres.

SENTIMENTO DE PESAR

Há uma sensação de pesar e tristeza porque isso não volta mais, não há nada como entrar num court de ténis para uma final de um Grand Slam. A preparação, o dia antes, a hora da entrada. A nossa vida ainda é mais reduzida. Estes rapazes têm a vantagem de terem estendido a régua da longevidade para o dobro do tamanho. No fim, olhamos muito mais para o lado positivo, para o benefício de ter recebido tudo em cima de trabalho e dedicação, mas são únicos. Ganhar 20 Grand Slams, tantos torneios, ser número um do Mundo infinitamente… Isso é uma sensação e um privilégio para raríssimos jogadores.

IMPORTÂNCIA DO ADVERSÁRIO

Um atleta tem uma série de experiências e todas as vivências por que ele passa valem para a vida inteira. É um ciclo que termina ao mesmo tempo que outros aparecem. O que achei magnífico é novamente o brilhantismo do ténis, de ver a importância também do adversário. Saber o quão importante foi o Federer para o Nadal se transformar num tenista ainda mais grandioso. Se eu tivesse enfrentado o Nadal teria possibilidade de melhorar muito mais do que os desafios que vivi. É maravilhoso.

HUMANIZAR A LENDA

Este sentimento humaniza. Não sei se eles são de outro planeta, mas ali sentimo-nos perto do menino Federer, do garoto que acompanhei e vi jogar nos juniores a ter sucesso, até chegar a número um do Mundo, mantendo o nível de ética e profissionalismo intocáveis. 

Pedro Gonçalo Pinto
Comentador Sport TV e ligado ao Jornal Record. Ténis acima de tudo.