Djokovic não desiste: «Quero continuar a esforçar-me para ter outra oportunidade num Grand Slam»

Por Nuno Chaves - August 30, 2025
Foto: EPA

Apesar de ter perdido mais um set, Novak Djokovic qualificou-se para os oitavos de final do US Open e mantém, por isso, mais do que vivo o sonho do 25.º Grand Slam.

O tenista sérvio reconhece a dificuldade, não só por causa idade mas também devido à dureza de nomes como Jannik SinnerCarlos Alcaraz, no entanto, Nole admite que vai continuar a lutar.

EXIBIÇÃO POSITIVA

Joguei bem, sobretudo no terceiro e quarto set comecei a bater a bola com mais força. E, sinceramente, fiquei agradavelmente surpreendido com o nível do Norrie. Acho que jogou de forma muito agressiva. Não estava habituado a defrontá-lo a jogar tão perto da linha e a bater a bola tão cedo, sobretudo com a direita. É preciso reconhecer-lhe o mérito de ter lutado e jogado a um nível realmente bom, especialmente no segundo set e no início do terceiro. Mas suponho que, quando foi preciso, consegui alguns pontos realmente bons, bons golpes, bons serviços. Sim, a minha prestação no serviço foi sem dúvida a melhor até agora.

ENCONTRO QUE DÁ CONFIANÇA

Este tipo de jogos e vitórias dão-me sempre esperança de poder ir longe, de poder desafiar os melhores jogadores do mundo. Quanto ao que sinto, a verdade é que tenho altos e baixos. Sim, frustra-me não conseguir sentir-me a 100%, como aconteceu durante mais de 20 anos. Mas enfim, suponho que as circunstâncias são muito diferentes e tenho de me habituar ao facto de que em cada jogo pode acontecer qualquer coisa, como tem sido o caso este ano em praticamente todos os Grand Slams.

CUIDAR DO CORPO

Estou apenas a tentar dar o meu melhor e a gerir os dias em que não tenho jogo. Provavelmente, amanhã vou saltar o treino e focar-me apenas na recuperação, porque acho que isso é o mais importante para mim e para a minha equipa neste momento. Sinto bem a bola. Posso jogar melhor? Sim, sempre. Mas estou contente com as horas que passei em court a jogar nas três primeiras rondas. Por isso, acho que agora trata-se mais de cuidar do corpo e colocá-lo na melhor forma possível para o próximo jogo.

NOVA FASE NA CARREIRA

Sinceramente, não acho que possa fazer muito mais do que estou a fazer agora. Se o corpo não responde quando chego às fases finais dos torneios do Grand Slam, como tem acontecido nos últimos torneios, torna-se difícil de aceitar, porque sei a quantidade de horas que dedico todos os dias a cuidar do meu corpo mas, ao mesmo tempo, a idade biológica não é algo que se possa reverter e é o que é. O desgaste físico de todos estes anos está a cobrar o seu preço e tenho consciência disso, mas resisto. Estou a tentar dar o meu melhor para continuar a competir com os mais jovens ao mais alto nível.

NÃO PENSA NA RETIRADA

Acho que fui bastante sincero na conferência de imprensa depois das meias-finais de Wimbledon, deixei algumas pistas sobre o que me passa pela cabeça. Claro que agora me faço mais perguntas do que nunca sobre quanto tempo quero continuar a este nível e como quero organizar o meu calendário para prolongar a carreira porque realmente quero continuar a jogar. Continuo a desfrutar de competir, posso ser muito exigente comigo próprio e com a minha equipa, eu sei, mas continuo a sentir que ainda tenho ténis dentro de mim para jogar ao mais alto nível.

SONHO DO 25.º GRAND SLAM MANTÉM-SE VIVO

Como já disse várias vezes, enquanto sentir que esse nível ainda está vivo, ainda presente, sinto que quero continuar. Quero continuar a esforçar-me para ver se consigo ter outra oportunidade num Grand Slam ou noutro torneio importante. E também desfrutar do apoio e carinho que tenho recebido nos últimos anos, que tem sido incrível em todo o lado onde fui e realmente gosto dessa sensação. Há outras razões e motivações pelas quais continuo a jogar. Mas sim, também existe um debate interno dentro de mim, mas tento focar os meus pensamentos e a minha atenção neste momento presente e no que é preciso fazer, por isso continuo a competir e talvez volte a ficar um pouco mais filosófico quando o torneio terminar, mas por agora vou tentar focar-me no próximo desafio aqui.

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Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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