Djokovic abre a porta ao boicote: «Jogadores sabem que terão sempre o meu apoio»
Novak Djokovic é uma das vozes mais fortes do mundo do ténis, não só por tudo aquilo que representa para a modalidade mas também por ser um dos que mais tenta ajudar – basta ver a PTPA que criou em 2020, ainda que este ano tenha deixado a direção.
O tenista sérvio, na antevisão ao ATP 1000 de Roma, foi questionado sobre o possível boicote aos torneios do Grand Slam e, ainda que agora esteja numa posição diferente, Nole foi muito claro sobre o que pensa neste tópico que tanto tem dado que falar.
PRONTO PARA O BOICOTE
Os jogadores sabem que terão sempre o meu apoio e isso é tudo. As novas gerações estão a chegar e fico satisfeito por ver que há vontade, da parte de líderes do nosso desporto, como a Sabalenka, de dar um passo em frente e compreender verdadeiramente como funciona a política do ténis, perceber as nuances e aquilo que realmente precisa de ser feito, não apenas para o seu próprio benefício e bem-estar, mas para todos. Todos fazemos parte do mesmo desporto. Todos estamos a tentar elevar o ténis, sejam jogadores, torneios ou entidades reguladoras. Infelizmente, muitas vezes há conflitos de interesse que algumas pessoas não querem enfrentar. E é aí que acredito que os jogadores têm realmente poder.
ANOS DE LUTA DO PRÓPRIO
Sinceramente, agora observo tudo mais de fora. Não participei nessas reuniões nem nessas conversas. Mas a minha posição é muito clara: apoio os jogadores e apoiarei sempre uma posição mais forte dos jogadores dentro do ecossistema.
RAZÃO DA FUNDAÇÃO DA PTPA
Gosto que existam mais conversas sobre este tema. Têm de existir, porque a posição dos jogadores não está onde deveria estar em relação aos Grand Slams e aos circuitos. No geral, não está onde deveria. Foi por isso que cofundei a associação de jogadores, a PTPA. Essa foi a minha procura por uma solução mais profunda e significativa, um pouco fora do sistema, porque o sistema está estruturado de uma forma que, na verdade, não beneficia os jogadores em todos os níveis. Algo que também precisa de ser dito é que, no passado, muitas vezes deturparam especialmente as minhas palavras e diziam que eu queria mais dinheiro para mim próprio, mesmo quando ganhava Grand Slams. Mas estamos a falar dos jogadores com ranking mais baixo, da base do ténis profissional, daqueles que estão a lutar e acabam por abandonar o desporto por falta de financiamento. Acho que somos o único desporto global que está nesta situação, em que não existem certas garantias económicas para os jogadores com ranking mais baixo. Não sei se isso mudou nos últimos anos.
JOGADORES COM POUCO PODER NO CONSELHO DA ATP
Os jogadores dentro do Conselho têm realmente muito pouco poder. Eu estive lá. Fui presidente do Conselho durante muitos anos. De fora, pode parecer que existe poder porque os jogadores elegem representantes, depois existe uma direção e toda uma estrutura, mas tudo está desenhado de tal forma que os jogadores não conseguem realmente alcançar aquilo que querem. É por isso que os melhores jogadores se estão a unir e a tentar negociar diretamente com os Grand Slams, e acredito que esse é o caminho certo. É preciso encontrar formas de beneficiar os jogadores.
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