Como era o mundo quando Federer foi número 1 pela primeira vez?

Por Susana Costa - 3 Fevereiro, 2019

Roger Federer é aquele o tal jogador que se pode dar ao luxo de não precisar de provar absolutamente nada a ninguém, mas que, ainda assim, se dá ao trabalho de provar absolutamente tudo, a todos, repetidamente. Conclusão: não só é o recordista de títulos do Grand Slam (20) como é o jogador que mais se demorou pelo topo do ranking. A primeira das 310 semanas como número um mundial aconteceu há precisamente 15 anos (e um dia).

Ora, o que parece que foi ontem aconteceu em 2004, quando estávamos todos ainda longe de prever que o rabo-de-cavalo daria lugar a um das mais invejáveis cabeleiras do circuito e que, imagine-se, a felicidade viria a ser medida pelo conteúdo do feed de cada um nas redes sociais. #bemvindoa2004:

– Não existia Instagram ou Twitter, e o Facebook era ainda um recém-nascido, tinha um mês de vida. Queria saber o que os seus amigos andavam a fazer? Havia isto:

– Hawk-Eye? Nem vê-lo. A palavra dos árbitros era ainda sagrada. O sistema eletrónico de arbitragem só se tornou oficial em 2006, no Miami Open.

 

– Longe estava Portugal (e a Europa) de saber que alguém de seu nome Ederzito António Macedo Lopes seria proclamado herói nacional.

 

– Ronaldinho Gaúcho era eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA e o FC Porto sagrava-se campeão nacional nessa época.

 

– O Bola Amarela ainda não tinha sequer sido criado, e há agora pessoas na equipa que em 2004 tinham… 8 anos.

 

– O que faltava a Rafael Nadal em tecido sobejava em cabelo.

– George W. Bush era o Presidente dos Estados Unidos e Jorge Sampaio orientava os interesses da República por cá.

 

– Roger Federer já conhecia Mirka, mas ainda não era casado nem tão pouco sabia que tinha (quase) tanto jeito para conquistar Grand Slams como para conceber filhos aos pares.

 

– Alicia Keys – favorável ainda aos benefícios de um bom blush e de um eyeliner bem delineado – encantava com o seu The Diary of Alicia Keys, um dos álbuns do ano.

 

– Genie Bouchard já conhecia Maria Sharapova, mas não as vantagens da selfie.

– A selecção portuguesa ainda não sabia (mas estava perto de saber) o que era perder duas vezes com a Grécia no espaço de algumas semanas.

 

– Rui Machado era o então número um nacional.

 

– Encher o depósito de um carro a gasóleo custava 1,03 euros por litro, menos seis cêntimos do que custava atestar uma viatura a gasolina.

 

– Livre de impostos eram as gargalhadas que se davam graças a Bruno Nogueira e companhia no Levanta-te e Ri, programa da SIC líder de audiências após o horário nobre.

– Taylor Fritz, agora com 21 anos, casado e pai de filhos (de um, na verdade), estaria a aprender os ditongos em qualquer turma do sexto ano de uma escola primária na Califórnia.

 

– Chegava às salas de cinema o terceiro filme da saga Harry Potter. Entretanto, já se fizeram mais uma mão-cheia deles e o miúdo da cicatriz na testa, Daniel Radcliffe, cresceu a “palmos vistos”:

– À exceção de Roger Federer, todos os jogadores no top 10 em fevereiro de de 2004 se reformaram:

1. Roger Federer
2. Juan Carlos Ferrero
3. Andy Roddick
4. Guillermo Coria
5. Andre Agassi
6. Rainer Schuetller
7. Carlos Moya
8. David Nalbandian
9.  Mark Philippoussis
10. Paradorn Srichaphan

 

– Meredith Grey ainda não existia – entretanto enviuvou, tornou-se dona do hospital e tem quase tantos filhos como Roger Federer.

– A Padaria Portuguesa, a tal pastelaria que tem no pão de Deus o seu produto sagrado, ainda não tinha encontrado a receita certa para a multiplicação das lojas. Agora, são para cima de 50; em 2004 eram zero.

 

– Ainda o mundo não conhecia a “super bowl” de Janet Jackson. A polémica apresentação foi feita por Justin Timberlake, durante o evento desportivo do ano nos EUA.

Artigo escrito em 2017, atualizado em 03/02/2019.

 

Susana Costa
Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tal que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo e um Secundário dignamente enriquecido com caderno cujas capas ostentavam recortes de jornais do Lleyton Hewitt. Entretanto, ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.