WIMBLED8N. Roger Federer torna-se no maior campeão da história

Já há muitos anos que não se conseguem contar com os dedos de uma mão, e Roger Federer está a caminhar para que deixe de se conseguir contar com os dedos das duas. O campeoníssimo suíço venceu na tarde deste domingo o seu oitavo torneio de Wimbledon e aumentou para incríveis 19 Grand Slams no palmarés, afirmando ainda mais a sua posição como um dos melhores de sempre, após um triunfo por 6-3, 6-1 e 6-4. Marin Cilic mostrou estar muito longe do seu melhor e teve por várias vezes a intervenção da equipa médica.

E, uma vez mais, foi sob a atenção da realeza e de grandes campeões como Rod Laver que Roger Federer volta a escrever mais umas páginas de história no ténis e a provar uma vez mais que os recordes existem são para ser quebrados. Se há 43 anos que alguém tão velho não chegava à final no evento londrino, pois Federer não só chegou como viu e venceu.

E venceu mesmo o quinto torneio da temporada e o 93.º da sua carreira, sem perder qualquer set nos sete encontros que disputou, numa altura em que a gestão de esforços o levou a saltar toda a fase de torneios em terra-batida, inclusive Roland Garros. Um esforço que acabou por compensar.

O encontro

Marin Cilic começou este domingo apenas a uma vitória de se tornar campeão de Wimbledon, um marco na carreira de qualquer jogador, mas depressa percebeu assim que entrou em court que as aspirações ficavam cada vez mais longe. O jogador croata desde cedo que teve várias dificuldades em acertar com o primeiro serviço e ainda mais dificuldades a lidar com a resposta antecipada do seu adversário, que conquistou a primeira partida ao cabo de apenas 36 minutos.

Logo após o arranque do segundo set, Marin Cilic recebeu a visita da equipa médica no court e não conseguiu esconder as lágrimas. O croata estava a jogar com dores devido a problemas no pé esquerdo, que o levaram inclusive a receber um medical timeout no fim do segundo set. Nem a ovação em pé que Cilic recebeu assim que se levantou da cadeira, quando perdia por 3-6 e 1-2, acabou por ter grande impacto no avançar do marcador, que cada vez mais pendia para o lado de Roger Federer.

O jogador de 35 anos, por sua vez, mantinha-se totalmente abstraído dos problemas do seu adversário e focado no seu jogo, sem dar qualquer tipo de aberturas. Terminou a primeira partida com um registo de seis winners e quatro erros não forçados, e na segunda não falhou um único primeiro serviço. Ele sabia que o 19.º estava perto, mas não quis nem por um segundo baixar a fasquia, agindo como um campeão deve agir: sempre a dar o máximo.

Chegados à terceira partida, que viria a ditar o fim de um torneio que celebra este ano sua 140.ª edição (no que à vertente de singulares diz respeito), seria a altura em que Marin Cilic tinha de experimentar tudo aquilo que poderia estar a guardar para os momentos mais críticos, começando por novas variações no seu serviço e estocadas mais fundas. Não pareceu resultar.

Um deuce no serviço do croata, seguido por um deuce no serviço do suíço, e tudo parecia ter ficado um pouco mais equilibrado. Até ao momento em que, com serviço e 3-3 no marcador, Marin Cilic está obrigado a salvar dois break points. O primeiro serviço volta a não entrar, a resposta em antecipação de Federer volta a aparecer e a bola já não volta a passar a rede, dando ao helvético uma vez mais a vantagem e deixando tudo na sua raquete.

O “game, set and match” do árbitro Damien Dumusois chegou em menos de duas horas e deixou Roger Federer em êxtase. Tal como ficou no fim do Open da Austrália, e tal como ficou de todas as outras vezes em que foi o único homem ainda em pé num torneio do Grand Slam. Esta é a primeira vez desde 2009 que o antigo número um do mundo, número três na próxima segunda-feira, triunfa em mais do que um torneio desta categoria na mesma temporada. E com o Open dos Estados Unidos a poucos meses, muitos são os indícios de que Roger Federer não quer ficar por aqui.

No fim de contas, a idade não é apenas um número, é um número só que só dignifica ainda mais aquilo que aconteceu hoje no Centre Court do All England Club.

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Sobre o autor
- Licenciado em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. Jornalista da GQ Portugal e colaborador do Bola Amarela desde novembro de 2011, pouco tempo depois de começar a seguir mais atentamente o mundo do ténis. Pretende nunca mais parar.

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