Zverev: «Quero continuar a jogar durante mais dez anos»
Alexander Zverev já conquistou o grande título que perseguia há anos. O alemão venceu Roland Garros e, poucos dias depois, concedeu uma extensa entrevista ao jornal BILD após se sagrar campeão em Paris. Numa conversa em que revisita as emoções da conquista, a pressão que sentiu durante o torneio, a importância da família, os problemas físicos que enfrentou e os grandes objetivos que ainda tem para o futuro.
MOMENTO ESPECIAL
“Quando tive o troféu pela primeira vez nas mãos. Era o momento que procurava e esperava há anos. Finalmente poder tocá-lo foi a melhor sensação de todas. E depois poder entregá-lo ao meu pai, à minha mãe e ao meu irmão. Isso foi o mais especial.”
“Tinha a certeza de que a primeira pessoa a quem o queria mostrar era o meu pai. É com ele que mais trabalhei ao longo dos anos. Mas o resto da equipa também está comigo há muito tempo. O meu preparador físico acompanha-me desde 2014, Sergey Bubka é meu representante há muitos anos e apenas o fisioterapeuta é novo. Depois de duas semanas, teve uma estreia fantástica. E o meu irmão é o meu irmão. O meu melhor amigo. A minha avó também estava lá. Foi um momento muito bonito.”
FESTA EM PARIS
“Foi incrível. Já nem me lembro do que aconteceu, mas foi maravilhosa. Estou a brincar! Lembro-me de tudo. Toda a gente estava muito bem-disposta e acabou por enlouquecer um pouco, como era suposto. Eu sabia que ela o tinha comprado. Chegou durante a noite e voltou a partir na manhã seguinte, por isso só pude vê-lo durante algumas horas.”
“Deixámos o Mishka, o nosso outro cão, e a Buba com a minha mãe. Ela contou-me que não dormiram nem um minuto porque os dois cães, que são irmãos, passaram a noite inteira a brincar. Dão-se muito bem.”
MENSAGEM PARA AS PESSOAS COM DIABETES
“É um sinal para os pais e para as crianças de que, com diabetes, é possível alcançar qualquer coisa. Já falei muitas vezes sobre isso, mas agora consegui demonstrá-lo. Falar é uma coisa, mostrar é outra. Tenho esta doença e agora há alguém para quem podem olhar e ver que viveu tudo isto.”
JOGAR MAIS DEZ ANOS
“Gosto de trabalhar. Gosto de ir ao ginásio. Se hoje deixasse o ténis, continuaria a treinar porque adoro fazê-lo. Sim, ganhar este título era uma enorme motivação, mas não era a razão pela qual trabalhava tão arduamente. Gosto mesmo do processo. Se não treino, não me sinto bem.”
“Isto não significa que vá ganhar Wimbledon dentro de algumas semanas, mas certamente não vou deixar de trabalhar nem de ter vontade de treinar. Quero continuar a jogar durante mais dez anos. Já alcancei o objetivo de conquistar um Grand Slam e a única coisa que me falta é ser número um do mundo. Nem que seja apenas durante uma semana. Seria bonito. Embora, com a concorrência atual, seja muito difícil.”
PRESSÃO DE SER O FAVORITO
“Repetia constantemente para mim próprio que tinha de pensar jogo a jogo e controlar apenas aquilo que dependia de mim. Mesmo desligando o telemóvel e evitando ler notícias, acabava por saber que eles tinham sido eliminados. Isso deixou-me nervoso.”
“Houve uma noite em que não consegui dormir. De repente, era o último dos três grandes favoritos ainda em prova. Senti que era a minha grande oportunidade para conquistar o primeiro Grand Slam, uma oportunidade que podia — e talvez devesse — aproveitar. Foi uma semana de enorme stress e pressão. Em alguns momentos senti-me desconfortável, mas consegui gerir tudo muito bem.”
“Sabes que o Carlos Alcaraz está lesionado e que Novak Djokovic quase não competiu. Sabes que, nos últimos meses, foste o melhor jogador atrás de Jannik Sinner. Isso deixa-te nervoso. Contra Quentin Halys, na terceira ronda, não joguei bem, mas sobrevivi. A partir daí senti que começava um novo torneio para mim.”
AVÓ NA BANCADA
“Eu tinha quatro ou cinco anos e ela vinha sempre de Sochi para nos visitar. A minha mãe dava aulas de ténis e nós jogávamos ao lado. Ela tinha sido campeã da União Soviética.”
“Eu costumo olhar para o meu pai ou para as estatísticas que o meu irmão me mostra. Mas, depois de cada jogo, muita gente falava precisamente dela. Estamos até a tentar que venha viver conosco de forma permanente, embora com um passaporte russo isso não seja simples, mesmo que o neto dela se chame Alexander Zverev.”
MENSAGENS DE NADAL E DJOKOVIC
“Ainda tenho 1.576 mensagens por responder. Estou há três dias a responder e ainda vou precisar de mais alguns. Quero responder a toda a gente.”
“A mais inesperada foi a chamada do chanceler federal. Foi uma enorme honra. Não o conheço pessoalmente. Também recebi mensagens muito bonitas, como a do Novak Djokovic ou uma mensagem muito longa do Rafael Nadal de que gostei imenso. Dirk Nowitzki chegou mesmo a escrever-me durante o jogo, tal como Toni Kroos, Joshua Kimmich e Mats Hummels.”
PAPEL DO PAI
“A questão de mudar de treinador nunca esteve em cima da mesa para mim. A Mayla faz-me feliz, mas isso não significa que vá despedir a minha equipa. Não sou esse tipo de pessoa.”
“Quando tudo corre bem é maravilhoso, mas se três meses depois as coisas deixam de funcionar, temos de despedir toda a gente? Às vezes também é preciso assumir responsabilidades. No ano passado tive problemas nas costas e edemas ósseos devido a uma perturbação metabólica. Foi essa a razão pela qual joguei com dores, não conseguia treinar devidamente e perdi a forma. Desde o Open da Austrália até Viena estive muito longe do meu nível.”
“Em Xangai comecei a tratar esses problemas e fui melhorando gradualmente. Foi por isso que voltei a jogar bem. Mesmo que tivesse o Boris Becker sentado ao meu lado, também não conseguiria fazer milagres com um jogador lesionado.”
VISITAS AO MÉDICO
“Em dezembro deu-me imensas injeções. Talvez não tenham sido 70, mas certamente umas 60. Graças a ele consegui jogar este ano sem dores.”
“Depois do Masters de Roma voltei a vê-lo e aplicou-me mais 40. Por isso, claro que tem uma parte importante neste título e ajudou-me imenso.”
FILHA MAYALA
“Ela estava ao telefone e o telemóvel estava no meu colo durante a conferência de imprensa, onde também estava o troféu. Ouviu absolutamente tudo.”
“Em Acapulco divertiu-se imenso. Também lá estava o filho de Sergey Bubka e passavam as trocas de lado a dançar e a brincar. Cada vez gosta mais deste mundo. Tem muito talento, se assim o quiser. Já joga um pouco e ainda por cima é canhota. Posso enviá-la para treinar com o meu irmão, que também é canhoto. Embora ele lhe destruísse a direita”, disse entre risos. “Nisso não o vou deixar trabalhar com ela. Agora vai acompanhar-me ao torneio de Halle.”
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