Zverev: «Não dormi nada no dia em que Sinner foi eliminado de Roland Garros»
Alexander Zverev continua a viver a “ressaca” da sua inédita conquista do Grand Slam após triunfar em Roland Garros ao bater Flavio Cobolli no derradeiro encontro.
O alemão pode agora ser “livre” depois de derrubar o objetivo que o atormentava há anos e, numa entrevista à Sky Alemanha, o próprio reconheceu que acredita que se vai soltar e avançar para uma nova fase da sua carreira.
TÍTULO QUE FUGIA HÁ TANTO TEMPO
Creio que conquistámos esta vitória com todo o mérito. Fizemos praticamente tudo, ou muitas das coisas necessárias, para alcançar este sucesso. É claro que houve comentários de muita gente a dizer: ‘Está bem, o Sinner perdeu, o Alcaraz nem sequer jogou’. Mas quanta falta de sorte tive eu nos Grand Slams nos últimos anos? Acho que é justo ter um pouco de sorte uma vez na carreira e estou mais do que feliz por a aceitar. Simplesmente fiz o suficiente nos últimos 10 ou 15 anos para ganhar um Grand Slam. Obviamente, nunca se pode ter 100% de certeza de que o vai ganhar. Sobretudo porque tivemos tantos jogadores incríveis. Antes havia Novak, Rafa e Roger, e agora há Alcaraz e Sinner. Nunca existe garantia de vitória. Mas, claro, estou satisfeito. Estou feliz por finalmente ter conseguido conquistar este título.
APOIO DOS COLEGAS
Recebi muitas mensagens de outros jogadores e dos meus colegas do circuito. Acho que o que mais significa para mim é o facto de eles estarem felizes por mim. Isso é algo muito especial.
ELIMINAÇÃO DE SINNER MUDOU TUDO
Fingi o melhor que consegui. Convenci-me a mim próprio. Menti a mim mesmo para meu benefício. Agora posso ser honesto quanto a isso. Quando o Sinner perdeu, não dormi nada nessa noite. Felizmente, no dia seguinte joguei à tarde contra Quentin Halys, por isso consegui dormir durante boa parte do dia. Mas depois aconteceu outra coisa: o jogo anterior ao meu foi a derrota de Djokovic. O pior jogo que fiz em Roland Garros foi, sem dúvida, contra Quentin Halys. Estava tenso, não me sentia confortável, não joguei bem e não servi bem. Foi o único encontro do torneio em que realmente não servi bem. Depois de o ganhar, pensei: ‘Uf, já ultrapassei este jogo. Agora posso voltar a ser eu próprio. Agora posso voltar a jogar ténis.’
COMO LIDOU COM O FAVORITISMO
Sinceramente, acho que foi a semana mais stressante da minha vida. Sabia que, de repente, era o grande favorito neste torneio, algo que nunca me tinha acontecido num Grand Slam. Sabia que, se jogasse bem, como tenho demonstrado ao longo de todo o ano e simplesmente praticasse o meu ténis habitual, podia ganhar este torneio e tinha de o ganhar. Acho que lidei com essa situação de forma incrível durante todo o torneio, até à final. Na final estava muito nervoso, muito tenso. Mas mesmo aí, nos momentos decisivos, joguei o meu melhor ténis. Creio que fiz o melhor set do encontro no quinto set.
NOVA FASE NA CARREIRA?
Primeiro preciso de me acalmar, voltar a treinar ténis e depois veremos. Mas penso que, mentalmente, será diferente. Mesmo que dispute uma final de Grand Slam contra Sinner ou Alcaraz e as coisas não corram bem, sei que já ganhei uma. E ninguém me a pode tirar. A minha carreira ainda não terminou. Espero jogar mais dez anos e depois poderemos falar sobre isso. Quero continuar a jogar ténis, quero continuar a competir e a ganhar grandes torneios. E espero que este não seja o último Grand Slam da minha carreira.
GRAND SLAM OU MEDALHA OLÍMPICA?
Os Jogos Olímpicos são o título mais difícil de conquistar. Realizam-se apenas uma vez de quatro em quatro anos. Temos muito poucos campeões olímpicos e imensos grandes jogadores que nunca conseguiram ganhar uns Jogos Olímpicos. Não se ganha apenas por si próprio. Todo o país está a apoiar-nos. Temos uma nação inteira atrás de nós. Os Jogos Olímpicos são simplesmente algo muito mais especial.
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