Fognini fala sobre o feito de Cobolli: «Terá de aprender a conviver com este novo estatuto»

Por Tomás Almeida - June 13, 2026

Fabio Fognini abandonou a modalidade em 2025 mas não é isso, bem pelo contrário, que o faz estar alheio àquilo que se vai passando no circuito e principalmente em relação aos seus compatriotas, que impulsionados pelo domínio do número um mundial Jannik Sinner têm também crescido a pulso nestes últimos anos.

O antigo top 10 mundial foi visto no último domingo a acompanhar de perto a final de Roland Garros, no apoio ao amigo Flavio Cobolli, que fechou a melhor quinzena da carreira como vice-campeão de um torneio do Grand Slam e garantiu, com esse feito, a estreia no top 10. Em entrevista ao Gazetta Dello Sport, o ex-tenista profissional de 39 anos natural de Sanremo abordou diversos tópicos interessantes, fez a análise ao encontro que encerrou a 125.º edição do Major parisiense, falou da amizade que tem com Cobolli e ainda revelou os conselhos que o próprio deve ouvir para dar o próximo passo e fazer frente aos melhores do Mundo. 

BREVE ANÁLISE À FINAL DE ROLAND GARROS

No primeiro set, aconteceu o que eu esperava: ele estava muito tenso, com pressa e cometeu erros. Depois, houve chances e erros de ambos os lados, mas o importante é que o nível estava lá. No quinto set, na minha opinião, o aspeto mental foi o fator decisivo: depois de duas semanas tão intensas, começa se a sentir o peso de tudo o que passou. Mas uma coisa é certa: ele provou o seu valor na terra-batida. É verdade que o caminho ficou mais fácil, e alguns dirão que o Flávio teve sorte, mas quando se tem a oportunidade, é preciso ser se bom para aproveitá-la. E ele foi. Falaremos mais nos próximos dias, mas a primeira coisa que eu disse a ele quando o vi foi ‘Bravo‘. Devemo nos concentrar em todas as coisas positivas que aconteceram nessas duas semanas.

COMO COMEÇOU A AMIZADE COM COBOLLI

Quando o conheci, eu tinha 33 anos. Estava a recuperar de problemas físicos, cirurgias no tornozelo e muitas lesões. Lembro-me de estar em Roma com Barazzutti em 2020, a ver o Flavio e o Matteo Gigante. ‘ Olha como esses dois garotos jogam bem ‘, disse eu. Um deles lembrava me um pouco de mim mesmo, alguém que não era competitivo no court, mas que corria e lutava. Esse era o Flavio, e é por isso que me vejo refletido nele. Ele é forte, competitivo, mas também tem um lado muito humano. É um cara bonito, tem um sorriso lindo e sabe conectar se com as pessoas. Talvez ele se irrite menos facilmente do que eu me irritava na idade dele, mas ele tem muitas características que me lembram o jovem Fabio, e é por isso que me empolga tanto vê-lo no court.

PREVISÃO PARA O FUTURO PRÓXIMO E OS PRINCIPAIS DESAFIOS QUE COBOLLI VAI TER PELA FRENTE

Neste momento, Sinner e Alcaraz ainda estão um passo à frente de todos, mas há espaço atrás deles. Dito isto, há espaço entre o quarto e o décimo lugar no ranking, e Flavio pode estar nesse grupo. Agora começa a parte difícil. De agora em diante, as expectativas serão maiores e ele terá que aprender a conviver com essa nova dimensão. Tem de encarar tudo com calma, pensar em si mesmo, no calendário e ter a coragem de almejar o topo. Quando se chega lá, queremos ficar, mas a dificuldade está justamente aí. De repente, todos esperam algo de ti e, acima de tudo, começas a esperar algo de ti mesmo. O Flavio não se deve sentir obrigado a fazer nada. Precisa é de continuar a trabalhar e lutar como sempre fez.

UM CONSELHO PARA O MAIS RECENTE MEMBRO DO TOP 10

Só dou conselhos se me pedirem. Não gosto de impor a minha vontade, mas disse ao Flavio para começar a pensar como um jogador de elite. Quando estás próximo do top 10, é preciso mudar a mentalidade e já não se pensa em jogar todos os torneios, mas sim em escolher aqueles que lhe permitam render ao seu melhor nível.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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