Ugo Humbert em entrevista [parte I]: «Piano é uma parte muito importante da minha vida»

Por Pedro Gonçalo Pinto - Abril 28, 2021

É já esta quarta-feira que Ugo Humbert vai iniciar a sua caminhada no Millennium Estoril Open. O francês de 22 anos é o 3.º cabeça-de-série no Clube de Ténis do Estoril mas, antes de defrontar Marco Cecchinato, esteve à conversa com o Bola Amarela e deu uma entrevista muito interessante. Mais do que falar apenas de ténis, partilhou a paixão pelo piano, a relação com a mãe e toda a luta no início da carreira. Aqui pode ler a primeira parte!

BOLA AMARELA – Como é que te sentes antes do teu primeiro encontro aqui no Estoril?

UGO HUMBERT – É a primeira vez que estou no Estoril. Gosto muito das condições que temos aqui. Já estamos habituados a estar nas bolhas sanitárias, mas estou feliz por estar aqui. Está bom tempo e estou ansioso por começar o meu torneio contra o Cecchinato. Vai ser um bom jogo.

BA – Já tens dois títulos, mas são os dois em piso rápido. Pode surgir aqui o primeiro em terra?

UH – Sim, acho que é possível ganhar o título. Tenho dois títulos em piso rápido indoor e outdoor, mas nunca joguei assim muito bem em terra batida. Não é o piso que prefiro, mas até gostei de jogar nesta superfície na temporada passada. Tudo é possível! Estou bem neste momento e gosto de estar aqui. Sei bem que tudo é possível.

BA – É impossível não falarmos do teu talento para o piano… Como é que isso começou?

UH – Comecei com 5 anos, ao mesmo tempo que o ténis. Foram os meus pais que me forçaram a mim e à minha irmã a estudarmos música. No início foi difícil, mas quando começámos a tocar bem tivemos mais prazer na música. É uma parte muito importante da minha vida. Quando estava nas instalações da Federação, em Poitiers, passei quase dois anos sem jogar. Tinha 12 anos. Os meus pais compraram-me um piano para me ajudar a passar o tempo enquanto recuperava da lesão e tocava todos os dias. Era sempre entre meia hora e uma hora todos os dias. Em qualquer torneio em que estou, se houver um piano no hotel, tento sempre ir lá tocar. Mas agora não é fácil!

BA – Tens algum compositor favorito?

UH – Não tenho um compositor preferido, mas toco um pouco de tudo, até músicas de filmes, música clássica, muitas músicas francesas. Toco um pouco de tudo.

BA – Será que poderás ter aí uma carreira à parte?

UH – Ainda não pensei nisso, mas por enquanto estou com a minha carreira de tenistas. Depois da carreira logo se vê!

BA – E o que é mais difícil? Ganhar ao Rafael Nadal em terra batida ou tocar uma peça de Beethoven, por exemplo, de forma perfeita?

UH – Tocar piano é mais difícil do que jogar ténis! Mas ainda é mais complicado ganhar ao Nadal em terra!

BA – Quem acompanha os teus encontros já percebeu que tens uma relação especial com a tua mãe. É muito importante para ti?

UH – Desde muito jovem tenho uma relação forte com a minha mãe. No ano passado, após o US Open, não tinha treinador e foi ela que me acompanhou durante um mês ou um mês e meio. Ela não percebe muito de ténis, mas para mim é importante para ter um apoio perto do court porque é uma pessoa muito positiva e que me dá muita energia. Esta semana ela está cá comigo.

BA – Também por isso deve ter sido mais difícil quando saíste de casa com 12 anos para ires para Paris…

UH – Fui para Poitiers e estive lá dos 12 aos 16 anos, saí muito cedo. Os meus pais foram incríveis, deixaram-me escolher entre sair de casa ou ficar. Decidi sair, a escolha era fácil para mim porque eu queria mesmo era jogar ténis. Mas foi complicado porque lesionei-me durante dois anos e não podia jogar. Via os meus amigos a ir jogar e eu ficava no quarto. Mas foi uma boa experiência e aprendi muito com isso.

Pedro Gonçalo Pinto