Serena: «Estou tão feliz por ter tido uma filha. Quero ensinar-lhe que não existem limites»

“Porque é que haveria de querer ficar ao mesmo nível, quando podia ficar acima?”. A pergunta, feita durante a longa entrevista concedida à Vogue norte-americana, é tão esclarecedora que não precisa de resposta, principalmente porque é feita por não outra que Serena Williams, a jogadora com mais Grand Slams do que qualquer jogador no ativo.

Tendo-se tornado mãe desde outubro, a norte-americana de 36 anos está ainda a descobrir a maternidade, mas tem já a certeza de que está pronta mostrar à pequena Olympia o que é isto de se ser incomparavelmente poderosa.

“As mulheres, às vezes, limitam-se a si próprias”, apontou a campeã de 23 majros. “Não sei porque é que pensamos dessa maneira. O que sei é que às vezes somos ensinadas a não sonhar tão alto quanto os homens, a não acreditar que podemos ser presidente ou CEO, quando na mesma casa é dito a um rapaz que ele pode ser o que ele quiser. Estou tão feliz por ter tido uma menina. Quero ensinar-lhe que não há limites”.

Uma verdade que a antiga número um mundial conquistou a pulso. “Lembro-me que estava muito stressada antes de conquistar o 18.º Grand Slam, os mesmos que a Chris [Evert] e a Martina [Hingis]”, recorda. “Tinha perdido todos os Grand Slams nesse ano, e antes do Open dos Estados Unidos o Patrick [Mouratoglou], o meu treinador, disse-me, ‘Serena, isso não faz sentido. Estás tão preocupada com o 18.º. Porque não 30? Porque não 40? E deu-se o clique. Ganhei o 18.º, o 19.º e o 20.º depois disso”.

Passar pelos 24 Grand Slams de Margaret Court e alcançar os históricos 25 é o derradeiro objetivo da norte-americana de 36 anos, que, para já, fica adiado. Serena não joga este Open da Austrália, mas promete voltar à ação brevemente. “Jogo ténis desde que me lembro. Com esta idade, já vejo a linha de chegada. E quando começamos a ver a linha de chegada, não abrandamos, aceleramos”.

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