Serena: «Não preciso de dinheiro, títulos ou prestígio. Mas eu quero-os»

Serena Williams tem aquela capacidade rara de estar mesmo quando não está, mesmo onde não está. Praticamente um ano depois de anunciar a gravidez e o afastamento do circuito, enquanto segurava o troféu do Open da Austrália na mão, a norte-americana surge, à sua maneira poderosa, na capa da edição de fevereiro da Vogue com a sua filha Olympia ao colo, e a sensação com que ficamos é que ela de nunca cá saiu.

Mãe há cerca de dois meses e meio, a norte-americana de 36 anos diz que o papel de lhe assenta na perfeição, e que a tentação de se dedicar inteiramente à maternidade é grande. “Sinceramente, a ideia de me mudar para São Francisco e ser apenas mãe é atraente, mas ainda não”, disse Serena. “É preciso dizer isto de forma poderosa: quero muito ganhar mais Grand Slams. Estou consciente dos recordes, infelizmente. Não é segredo que tenho como objetivo os 25”.

Para lá da fome de vencer, Serena conta com outro trunfo para tentar levar a bom porto o seu plano: a serenidade que a sua filha lhe trouxe, quando regressar aos courts. “Na verdade, ter tido um bebé talvez me ajude. Quando estou muito ansiosa, perco encontros, e sinto que muita da ansiedade desapareceu quando a Olympia nasceu”.

“Saber que tenho um bebé adorável em casa faz-me sentir como se eu não precisasse de vencer outro encontro”. Até porque, “eu não preciso de dinheiro, títulos ou prestígio. Eu quero-os, mas não preciso. É um sentimento diferente para mim”, acrescentou Serena.

Serena conta com a ajuda incondicional do marido, Alexis Ohanian, co-fundador da Redit, com a sua mãe Oracene, mas também com o apoio e presentes de alguns dos pais do circuito. Stan Wawrinka enviou para Olympia um novíssimo par de sapatos Tods e Novak Djokovic continua a presentear a  mais recente mamã do circuito com artigos ligados à sua filosofia tudo-natural.

Quanto ao super-pai do circuito, Roger Federer, Serena diz ser um afortunado. “É tão injusto”, reclama. “Ele concebeu quatro bebés [dois pares de gémeos] e praticamente não perdeu um torneio. Nem quero imaginar onde é que eu estaria agora se tivesse tido gémeos. Provavelmente no fundo da piscina”, brincou.

 Recuperar o “seu” lugar

Para já, a preocupação da campeã de 23 títulos do Grand Slam é recuperar a forma para voltar ao trabalho, sem nunca tirar da mira o lugar que conhece melhor do que ninguém, o primeiro do ranking. “É interessante, não houve uma número um clara desde mim. Vai ser bom ver se consigo chegar novamente àquele que eu chamo de meu lugar – onde eu sinto que pertenço”.

“Não jogo para ser a segunda melhor ou a terceira melhor. Se não há uma assumida número um, posso recuperar o meu lugar. Mas, se houver, é bom, porque vou tentar tirar-lho”. E o prometido, para Serena, é, quase sempre, devido.

Sobre o autor
- Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tanta que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo na Escola Superior de Educação de Viseu e um Secundário dignamente enriquecido por cadernos cujas capas ostentavam recortes de jornais de Lleyton Hewitt. Entretanto ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.

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