Paire recupera confiança em Portugal: «Posso voltar ao meu melhor ser top 20 outra vez»

Por Pedro Gonçalo Pinto - Setembro 30, 2022

Hoje em dia como número 165 do ranking ATP, Benoit Paire sabe que tem de fazer um trajeto de regresso ao topo pela via Challenger. Ora, o francês está em Portugal a jogar o Lisboa Belém Open e apurou-se para os quartos-de-final, falando depois de tudo aquilo que tem sentido nesta altura. Numa conversa muito sincera, explicou em conferência o porquê de não querer jogar em casa neste momento e de se sentir precisamente em casa em Portugal.

COMO SE SENTE

Sinto-me melhor do que na última semana. Não me estava a sentir bem fisicamente e mentalmente em Braga. Estou feliz por estar de volta a Portugal a jogar bom ténis, não o meu melhor, e estar nos quartos-de-final.

JOGAR EM PORTUGAL

Adoro o ambiente em Portugal. Joguei há dez anos num clube não longe daqui, perdi com o Hanescu. Gosto muito de jogar aqui, fiz bons encontros no Estoril Open, onde já cheguei às meias-finais. Sempre que volto a Portugal sinto-me um pouco em casa. Gosto muito. Estou feliz por ganhar encontros, é importante para a minha confiança e para a minha cabeça.

MEMÓRIAS DO INÍCIO DA CARREIRA

Lembro-me quando jogava torneios ITF e tenho boas memórias de Portugal. As pessoas são muito engraçadas comigo. Ganhei em Faro, Albufeira, são boas memórias do início da minha carreira. É bom voltar e pensar nisso. Gosto sempre de voltar cá.

PORQUÊ DE NÃO ESTAR EM FRANÇA ESTA SEMANA

Jogar em casa é um pouco complicado para mim neste momento. As pessoas esperam muito de mim. Foi número 18 do Mundo, então quando volto esperam que ganhe sempre. Mentalmente não estava pronto para jogar o meu melhor ténis, então pensei que podia ser melhor estar num sítio mais tranquilo em Portugal, aproveitar o meu ténis. Estou muito feliz por estar aqui e prefiro jogar torneios longe de França neste momento. Se voltar ao meu melhor nível talvez volte a jogar em França. Lá, cada vez que ganho há pressão. Como não ganhei muitos encontros este ano, decidi que era melhor ficar afastado e vim para Portugal. Há sempre muita gente a ver-me, à minha espera… Era demasiado.

IMPACTO DA PANDEMIA

Depois da Covid-19 não foi fácil para mim. Tive Covid quatro vezes e fiz quarentena de 14 dias quatro vezes. Não foi fácil aproveitar a vida a jogar num estádio vazio. Não é por isso que jogo ténis. Jogo para me divertir com os adeptos. Não foi fácil, mas estou a tentar voltar e a ganhar uns encontros. Acho que estou a jogar muito melhor esta semana porque isso acontece quando me sinto bem fora dele.

MOTIVAÇÃO NO CIRCUITO CHALLENGER

Não é fácil encontrar motivação mas sei porque estou aqui. Não jogo estes torneios pelo dinheiro, mas sim porque quero ganhar encontros e voltar ao circuito. Se sentir que não consigo jogar torneios ATP deixo de jogar ténis. Mas acho que se mentalmente estiver bem e me sentir bem fisicamente, posso voltar ao meu melhor e ser top 30 ou top 20 outra vez. Tenho de começar aqui nos Challengers, ganhar encontros e torneios. Quando tiver confiança de novo, acho que consigo. Se estou aqui é porque quero lutar. Sei que o meu ténis não está como antes e não é perfeito, mas agora estou só a tentar ganhar jogos e divertir-me em court.

OBJETIVOS

Antes deste torneio, estava a pensar em terminar a época depois do primeiro encontro. Mas desfrutei em court e é por isso que pensei que talvez se ganhasse uns duelos pudesse estar melhor. Se me divirto continuo a jogar, se não, é para parar. Sei que se voltar na próxima temporada a 100 por cento na minha cabeça com motivação, vou regressar ao circuito ATP de certeza.

Pedro Gonçalo Pinto
Comentador Sport TV e ligado ao Jornal Record. Ténis acima de tudo.