OPINIÃO. Quando me perguntam por que raio adoro ténis…

Por José Morgado - 15 Julho, 2019
wimbledon

Wimbledon chegou ao fim. Tive a felicidade de poder comentar o torneio para a Sport TV, de escrever sobre ele para o jornal ‘Record‘ todos os dias e ainda de partilhar convosco aqui no Bola Amarela, quase em cima do acontecimento, minuto a minuto, algumas das coisas mais importantes e interessantes que por lá se passaram durante 15 dias. Foi cansativo, certamente, mas valeu a pena cada momento.

A final de Wimbledon foi incrível. Nem sempre particularmente bem jogada, mas quase sempre incrivelmente tensa — e intensa. Quando me voltarem a perguntar (e acreditem que acontece mais vezes do que eu desejava) por que raio é que eu gosto tanto de ténis em relação a outras modalidades, a minha resposta passará a ser, nos próximos tempos, “vejam o quinto set da final de Wimbledon 2019. Não se vão arrenpender”.

Entristece-me a quantidade de comentários agressivos, a roçar o ódio, que vejo na caixa de comentários deste site. Todos temos um favorito. Mesmo nós, que aqui deste lado temos de escrever com imparcialidade, também temos os nossos. Roger Federer, Novak Djokovic e Rafael Nadal são bons demais para que não consigamos apreciá-los a todos e conviver tranquilamente com o facto de que, no final de um torneio do Grand Slam, só um dos 128 jogadores fica com a taça. E normalmente é um dos três do costume…

Parece mais ou menos unânime que Novak Djokovic não foi o melhor jogador durante boa parte da final de Wimbledon, mas ninguém lhe pode tirar o mérito de ser inacreditavelmente ‘clutch’ nos momentos de maior aperto. Mentalmente, está num patamar diferente de todos os outros nesta fase. Não é o mais querido do público, não é o mais mediático, não é o que ‘melhor imprensa’, mas isso só lhe dá mais mérito.

Nota: Roger Federer é surreal. O que joga com quase 38 anos, as emoções que provoca nas pessoas, o carisma, a empatia fácil com as bancadas sem que tenha de ser demasiado expressivo. Federer é Federer e provou em Wimbledon que é preciso (mesmo) continuar a contar com ele na luta por todos os títulos. Já chega de dizer ‘esta era a última chance’. Não é verdade. Federer terá chances de ganhar Majors enquanto continuar a jogar ténis. E felizmente parece que está para durar…

Nota 2: Quando achávamos que o ténis feminino já nos tinha oferecido tudo no que diz respeito a imprevisibilidade, eis que uma especialista de relva ganha Roland Garros e uma apreciadora de terra batida — e ex-campeã em Paris — vence em Wimbledon! E que bem jogou Simona Halep durante toda a quinzena…

Nota 3: Serena Williams tem dito que não sente qualquer pressão nesta fase da sua carreira. E não deveria sentir. É talvez a melhor de todos os tempos, não tem nada a provar a ninguém. Mas as suas três exibições nas três finais de Grand Slam desde que voltou da gravidez mostram que a norte-americana diz uma coisa… mas depois faz outra. No US Open terá nova chance…

José Morgado
Jornalista do Jornal Record e Comentador Sport TV. Ténis 24/7.