“Antes de mais, foi pelas pessoas que estavam por detrás do documentário. Zach pareceu-me a pessoa certa para o fazer e tenho um enorme respeito por David e por tudo o que a Skydance fez. A perspetiva deles mudou um pouco a forma como vi as coisas. Além disso, percebi que era agora ou nunca. Pode-se sempre fazer outro documentário a recordar a minha carreira, mas mostrar a minha vida quotidiana era uma oportunidade única.”
“Cometi erros, como toda a gente, mas nunca renunciei a ter uma vida normal, a voltar a casa, a manter os meus amigos de sempre e a ter a família por perto. O ego é um dos maiores defeitos do ser humano e no desporto causa muitos problemas. Sempre entendi que a vida real era muito mais importante do que a vida desportiva.”
MAIS COMPETIDOR QUE VENCEDOR
“Fui um vencedor, claro, porque não se conquista o que conquistei sem o ser. Mas, mais do que saber ganhar, o que realmente sabia fazer era competir. Encontrava sempre forma de me adaptar e continuar competitivo, mesmo com problemas físicos. Por isso digo que era mais um competidor do que um vencedor. Perder doía-me, mas se tivesse competido bem aceitava. O pior era não me sentir competitivo.”
“Era feliz a fazer o que fazia. Adorava jogar ténis. O meu corpo dizia basta, mas a minha mente queria continuar. Queria perceber se o meu corpo ainda respondia. As pessoas perguntavam: ‘Porque é que não se retira?’. Dei-me tempo suficiente para perceber se podia voltar a competir com garantias. Quando vi que não era possível, entendi que tinha chegado o momento.”
RIVALIDADE COM FEDERER E DJOKOVIC
“É passado, mas um passado positivo. Tive uma carreira muito melhor do que alguma vez poderia ter sonhado. Os períodos de lesões foram os piores. Esse ‘passing shot’ do Djokovic na final do Open da Austrália, por exemplo, já o vi outra vez e penso: ‘Custa-me ver isso’. Era um ponto muito fácil e praticamente significava ganhar o torneio. Essa fase da minha vida está encerrada, e está bem encerrada. Tenho memórias maravilhosas, mas já não penso como tenista.”
“Agora que terminei a carreira, quando vejo o Federer ou o Djokovic fico contente por os encontrar. Falo regularmente ao telefone com o Roger. Quando jogávamos havia sempre alguma reserva entre rivais, mas agora tudo é muito mais natural. Vejo alguns jogos e momentos dos torneios, mas raramente vejo partidas completas, a não ser que me interessem muito. Se jogam o Carlos Alcaraz e o Jannik Sinner, aí gosto de ver. Também sigo a evolução do Rafa Jódar, que progrediu imenso no último ano.”