Torneio de Buenos Aires poderá passar a ser um ATP 500 em piso rápido a partir de 2029
O ténis sul-americano poderá estar muito perto de viver uma das mudanças mais importantes das últimas décadas. O ATP 250 de Buenos Aires, um dos torneios mais emblemáticos da digressão latino-americana em terra batida, está prestes a mudar de proprietário e o seu futuro poderá ser muito diferente daquele que teve até agora.
Segundo uma informação do jornal argentino La Nación, assinada pelo jornalista Sebastián Torok, a ATP, com o apoio de fundos sauditas, está muito perto de concluir a compra do Argentina Open. A operação já terá sido aprovada e falta apenas a assinatura definitiva, adiada por questões fiscais. O torneio continuará a disputar-se no Buenos Aires Lawn Tennis Club, onde existe um contrato em vigor até 2033, embora, a médio prazo, venha a sofrer uma profunda remodelação.
A informação publicada pelo La Nación indica que a intenção da ATP será valorizar este novo ativo dentro do calendário. Para isso, o torneio subiria de categoria, passando de ATP 250 para ATP 500, além de abandonar a terra batida para ser disputado em piso duro a partir de 2029. Esta mudança estará relacionada com a reestruturação que o circuito pretende implementar em 2028, com a chegada do novo Masters 1000 da Arábia Saudita. Além disso, esta decisão também vai ao encontro da vontade do ATP 500 do Rio de Janeiro, que há muito procura alterar a sua superfície para atrair um maior número de jogadores de topo.
A transformação exigirá um investimento significativo. Será necessário construir novos campos de piso duro em substituição dos atuais de terra batida, além de modernizar as instalações do histórico Buenos Aires Lawn Tennis Club. Entre as melhorias previstas estão a renovação do court central, que celebrará cem anos de história, bem como a ampliação das zonas comerciais, das áreas de hospitalidade e dos espaços destinados aos adeptos. Para já, a empresa que atualmente gere o torneio continuará a administrá-lo até 2033, embora a propriedade da licença passe para as mãos da ATP.
A possibilidade de um dos grandes torneios sul-americanos abandonar a terra batida é, há já algum tempo, um tema recorrente de discussão no circuito. Precisamente este ano, durante o Miami Open, Carlos Alcaraz foi questionado sobre a sua experiência na digressão sul-americana.
“A digressão sul-americana é maravilhosa, embora também seja muito, muito exigente, devido aos horários, ao clima e a tudo o resto… mas é fantástica. As pessoas vivem o ténis de forma muito intensa, os adeptos são incríveis e deram-me um enorme apoio. Foi algo fantástico”, afirmou.
“Ouvi vários tenistas, sobretudo sul-americanos, dizerem que não se devia mexer nela nem alterar as superfícies. Quando lá fui, adorei a experiência. Aos jogadores que ainda não foram, diria que pelo menos uma vez na vida devem vivê-la. Sinceramente, foi uma das experiências mais bonitas que tive em termos de digressões”, acrescentou.
Enquanto a operação não for oficializada, a informação avançada pelo jornal argentino La Nación sugere que o ténis sul-americano poderá estar perante uma transformação histórica. Uma mudança que alteraria uma das digressões com maior identidade e tradição do circuito profissional.
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