Murray faz 33 anos: a história do britânico que tocou o céu em Wimbledon

Por Tiago Ferraz - Maio 15, 2020
Murray-Wimbledon

Andy Murray está de parabéns uma vez que completa, esta sexta-feira, 33 anos de idade. Nesse sentido e, como já vem sendo habitual, o Bola Amarela foi à procura daquilo que contribuiu para que o britânico fosse considerado um dos grandes nomes da modalidade.

Murray nasceu a 15 de maio de 1987 e, desde cedo percebeu que o bichinho da bola amarela estava bem presente na sua vida uma vez que começou a jogar ténis com apenas três anos de idade, em 1990 talvez influenciado pela mãe, Judy Murray que trabalha na área, sendo que o seu irmão Jamie Murray também é profissional de ténis e é um dos nomes mais conhecidos do circuito na variante de pares.

Na sua infância, Andy Murray cresceu a jogar ténis, mas via no futebol uma boa alternativa e, nesse sentido, chegou a ir fazer testes ao Glasgow Rangers, agora falido e renomeado Rangers FC. A paixão pelo desporto não se fica só pelo ténis e pelo futebol já que Andy Murray acompanha boxe e basquetebol e é um apoiante dos Miami Heat.

Ainda assim, o ténis sempre foi a modalidade dominante para Andy Murray que em 2005, com apenas 18 anos, tornou-se tenista profissional. O talento de Andy sempre foi muito vincado e o britânico precisou apenas de um no circuito para ter motivos para festejar: em 2006 Murray venceu o ATP de San José ao vencer o australiano Lleyton Hewitt na final pelos parciais de 2-6, 6-1 e 7-6.

No ano seguinte, Andy Murray provou que San José poderia ser talismã e voltou a ser feliz ao bater o croata Ivo Karlovic, em três sets, pelos parciais de 6-7, 6-4 e 7-6 na final para conquistar o seu segundo título na carreira. 2007 não acabaria sem que o menino prodígio Murray vencesse mais um título: o britânico venceu o ATP 250 de São Petersburgo ao vencer o espanhol Fernando Verdasco no encontro de todas as decisões.

A temporada de 2008 marcou a primeira grande época de Andy Murray que começava a aparecer nos grandes palcos numa altura em que Roger FedererRafa Nadal e Andy Roddick dominavam o ténis mundial. Com efeito, Murray venceu cinco títulos numa temporada que não podia ter começado de melhor forma: Murray venceu o ATP 250 de Doha logo em janeiro o que fez com que entrasse no top-10, foi feliz no ATP 250 de Marselha e, depois disso, venceu o seu primeiro Masters 1000 de carreira, em Madrid, ao ultrapassar o francês Gilles Simon por 6-4 e 7-6 e segundo Masteres 1000 não demoraria muito a chegar. Andy Murray venceu o Masters de Cincinnati poucos meses depois ao derrotar o sérvio Novak Djokovic, em duas partidas por 7-6(4) e 7-6(5). A nível de conquistas, o ano terminou com mais um título em São Petersburgo para o britânico somar oito títulos como profissional na variante singulares sendo que, no lado negativo, esteve a derrota na primeira final num Grand Slam, no US Open, diante do campeoníssimo suíço Roger Federer com um resultado de 6-2, 7-5 e 6-2.

E quando é que Andy Murray venceu o seu primeiro Grand Slam? Foi preciso esperar até ao ano de 2012 para que fosse possível ver o britânico conquistar um título desta categoria: depois de perder as finais do US Open de 2008 e do Australian Open em 2010 e 2011, 2012 marcou um ponto de viragem na ‘sorte’ de Murray nos encontros decisivos de um Grand Slam: depois de conquistar o ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, o britânico conquistou o primeiro título ‘major’ na final do US Open desse mesmo ano quando levou a melhor sobre o sérvio Novak Djokovic, que era campeão em título, numa final épica decidida em cinco sets com um resultado de 7-6 (10), 7-5, 2-6, 3-6, 6-2.

O britânico parece ter tomado o gosto pelas grandes conquistas e só precisou de pouco mais de nove meses para voltar a festejar um título do Grand Slam (e que título!). Lembro-me como se fosse hoje. Como adoro ténis e, em particular o torneio de Wimbledon, estava, naturalmente, em casa a assistir ao encontro e lembro-me bem do que senti quando Murray venceu o título: em julho de 2013, o britânico fez história na catedral do ténis ao vencer o torneio de Wimbledon pela primeira vez, colocando fim a um jejum de 77 (longos) anos sem títulos de tenistas britânicos na relva de Wimbledon o que deixou o court central num autêntico ‘vulcão’. Lembro-me das lágrimas de Judy Murray, do próprio Andy, de Kim Sears e confesso que até eu fiquei emocionado. Foi, sem dúvida, um dos melhores momentos que me lembro de ter acompanhado em direto.

Seguiu-se um ano de menor fulgor com apenas três títulos conquistados e, em 2015, voltaram os títulos de categoria Masters 1000: Murray venceu os Masters de Madrid e do Canadá aos quais juntou ainda as conquistas no ATP de Munique e de Queen’s.

2016 marcou, porventura, o melhor ano da carreira de Andy Murray: o britânico venceu 9 títulos nesta temporada e, entre eles, destacam-se a conquista de novo ‘ouro’ olímpico no Rio de Janeiro e a nova ‘festa’ no All England Club na final do torneio de Wimbledon quando Murray voltou a ser feliz depois de ultrapassar o canadiano Milos Raonic para ser dono e senhor da relva de Wimbledon pela segunda vez em quatro anos. A época de 2016 só terminou, sem surpresa, nas ATP Finals e o britânico levou mais um troféu para casa depois de voltar a vencer o sérvio Novak Djokovic. Nesse mesmo ano, Murray esteve ainda presente nas finais do Australian Open e de Roland Garros bem como dos Masters 1000 de Madrid e Cincinatti e foi sem surpresa que terminou o ano como número um mundial.

A partir daqui as lesões marcaram muito a carreira do britânico que, ainda assim, venceu o ATP 500 do Dubai em 2017 antes de ter sido submetido a inúmeras intervenções cirúrgicas, em particular, à anca.

Depois disso, Murray tentou recuperar, teve muitas dificuldades e acabou mesmo por anunciar o final da carreira, em janeiro de 2019, depois de inúmeros problemas físicos num momento que tocou quem é apaixonado pela modalidade.

Ainda assim, o britânico surpreendeu, recuperou da operação à anca em tempo recorde e, em outubro de 2019, conquistou o primeiro título ‘pós calvário’, 46.º da carreira, ao vencer o suíço Stan Wawrinka na final do ATP 250 de Antuérpia o que deixou Murray ‘lavado’ em lágrimas.

Atualmente, Andy Murray tenta recuperar o nível que o levou, outrora, ao número um do ranking mundial e, ao longo da sua carreira já venceu mais de 61 milhões de dólares em prize-money.

É certo que, neste momento, Andy Murray não está no topo da forma que o levou ao sucesso que todos lhe reconhecemos, mas não podemos negar que estamos perante um dos maiores nomes de sempre da modalidade que nos faz sorrir! Obrigado, Andy!

 

 

 

 

 

Tiago Ferraz
Jornalista de formação, apaixonado por literatura, viagens e desporto sem resistir ao jogo e universo dos courts. Iniciou a sua carreira profissional na agência Lusa com uma profícua passagem pela A BolaTV, tendo finalmente alcançado a cadeira que o realiza e entusiasma como redator no Bola Amarela desde abril de 2019. Os sonhos começam quando se agarram as oportunidades.