Montgomery vive uma nova fase: «Aprendi a não ser tão exigente comigo»

Por Nuno Chaves - June 20, 2026

Robin Montgomery até pode ter apenas 21 anos de idade, no entanto, já enfrentou uma grave lesão que a impediu de ter a progressão que era esperada.

A jovem norte-americana, que andava fora do top 400, viveu na última semana o momento mais especial da sua carreira ao conquistar o WTA 250 de s-Hertogenbosch, algo que marca o início de uma nova fase.

Em entrevista ao Tennis Channel, Montgomery explicou como olha agora para a sua carreira, depois de ter passado por tantos momentos complicados.

TÍTULO EM S-HERTOGENBOSCH

É algo incrível, sinceramente. Não era necessariamente um dos meus objetivos para este ano. O meu principal objetivo passava mais por voltar a subir no ranking até onde já tinha estado anteriormente e, se possível, ainda mais acima. Mas o mais importante para mim era manter-me saudável e jogar o maior número de partidas possível. Ainda assim, ser campeã da WTA soa de uma forma muito especial.

LESÃO GRAVE EM 2025

Sabia que precisava de ser operada desde fevereiro de 2025, mas os médicos disseram-me que não era urgente e que podia decidir quando fazê-lo. O meu objetivo era chegar ao US Open porque sou norte-americana, adoro jogar a digressão nos Estados Unidos e nunca tinha tido muitas oportunidades de disputar toda essa série de torneios. No entanto, quando chegou Wimbledon, depois de muitos altos e baixos ao longo de todo o ano, a situação tornou-se muito desgastante. Era um processo vivido dia após dia, porque nunca sabia como é que o meu pulso se iria sentir ao acordar. Depois de Wimbledon, decidi tirar isso da frente de uma vez por todas e ser operada. Saber que, mais cedo ou mais tarde, iria precisar da cirurgia também me estava a afetar mentalmente.

FASE MAIS DIFÍCIL

Não esperava que a recuperação durasse dez meses. Quando entrei no bloco operatório, disseram-me que seriam três a seis meses. O meu fisioterapeuta explicou-me que os médicos costumam dar o prazo para regressar a uma vida normal, mas que, para voltar à competição como atleta de elite, normalmente são precisos mais alguns meses. Foi um processo longo e duro, embora também tenha tido aspetos positivos e estou contente por o ter feito. Estive afastada dos courts durante cerca de dois ou três meses, nas primeiras seis semanas nem sequer entrei num campo de ténis. Sinceramente, também não queria fazê-lo. Estava muito esgotada por tudo o que tinha acontecido nesse ano e já não estava a desfrutar nem a divertir-me em campo. Fiz questão de dar a mim própria o tempo necessário e, sabendo que o processo seria longo, não quis apressar o meu regresso.

NOVA MENTALIDADE

O meu grande objetivo para este ano não era ganhar títulos, era regressar ao top 100. Já tinha entrado no top 100 no ano passado, mas depois tive de parar. Agora queria consegui-lo novamente e aceitar que estaria tudo bem se não o alcançasse antes do final do ano. Sei que não vou desistir e que, mais cedo ou mais tarde, voltarei ao top 100 e chegarei ainda mais longe… mas, claro, depois de ganhar este torneio pensei: ‘Quero ganhar outro WTA 250 e também quero conquistar um WTA 500.’ Neste momento, sinto novamente essa ilusão e essa paixão por sonhar em grande, mas, ao mesmo tempo, sei que, enquanto estiver saudável, já é uma bênção poder ter esta segunda oportunidade de competir a este nível.

LESÃO AJUDOU A VER TUDO DE UMA OUTRA FORMA

Ajudou-me a consolidar quem sou como pessoa, que tipo de pessoas quero à minha volta e em que ambientes me sinto confortável, tanto fora do court como com as pessoas que viajam comigo. Também ganhei mais independência para tomar decisões por mim própria, essa foi, provavelmente, a principal lição de todo este processo. Tive de aceitar algo que já sabia: sou muito exigente comigo mesma. Antes pensava que isso me fazia bem, mas é uma faca de dois gumes. Durante esta recuperação comecei a aprender a tratar-me com mais gentileza e a não exigir tanto de mim própria.

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Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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