Kostyuk: «Quem nunca viveu uma guerra na sua casa não compreende o que isso significa»
Marta Kostyuk vive numa constante incerteza perante o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, que dura há mais de seis anos e que mudou por completo a sua vida.
A tenista ucraniana, numa entrevista ao Clay Tennis, explicou como é ser tenista profissional ao mesmo tempo que há uma guerra no seu país, onde a sua família continua a viver.
LIDAR COM A GUERRA
Com cada ano que passa, mudo, cresço, as coisas mudam e a guerra continua. A responsabilidade não desaparece. Concentro-me nas mensagens que quero transmitir, sobre o que quero falar e em partilhar a dor das pessoas, a minha própria dor. Quem nunca viveu uma guerra no seu país não consegue compreender plenamente o que isso significa. Faço tudo o que posso para sensibilizar as pessoas e explicar que aquilo que está a acontecer não é normal e nunca mais deveria voltar a acontecer.
COMPETIR COM O SEU PAÍS EM GUERRA
Encarei isto como uma oportunidade para aprender a lidar com situações difíceis e para me conhecer melhor. Mas isso vem acompanhado de um grande sofrimento. O meu objetivo é manter o maior equilíbrio possível. Houve uma altura em que estava tão focada na guerra que sentia que, se não lesse as notícias ou se não estivesse ansiosa, de alguma forma estaria a trair a minha família ou as pessoas que estavam lá. Mas isso interferia demasiado com a minha vida quotidiana.
COMO SE FOCOU NO TÉNIS
Tive de dizer a mim própria: estou aqui, neste momento. Não estou em perigo. Posso tomar decisões com clareza. No ano passado, decidi desativar as notificações de notícias no telemóvel. Isso fez parte da gestão do stress. Não é possível estar exposta a tudo isso o tempo todo quando não se está no meio dessa realidade.
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