Medvedev após nova desilusão: «Ténis mudou nos últimos cinco anos e isso não me favorece»

Por Nuno Chaves - May 26, 2026
Foto: EPA

Pela sétima vez na carreira, Daniil Medvedev caiu na primeira ronda de Roland Garros, desta vez, após cinco sets frente a Adam Walton, que ocupa um modesto 97.º lugar do ranking mundial.

O russo, minutos depois de se despedir de Paris, passou pela sala de conferências de imprensa onde admitiu que o seu mau momento se deve… à atual fase do ténis.

MAIS UMA DESILUSÃO EM PARIS

Não foi um jogo fácil, não joguei o meu melhor ténis. Ele jogou bem em alguns momentos e menos bem noutros, enquanto eu consegui aproveitar quando o nível dele baixou. Foi só isso, não consegui elevar suficientemente o meu nível para ganhar o jogo inteiro, por isso perdi. Não quero arranjar desculpas, sei porque é que normalmente não jogo o meu melhor ténis em Roland Garros, mas se o dissesse seriam desculpas. Por isso, guardo isso para mim.

CALOR DIFICULTOU?

Não, não acredito. Senti-me bem com o calor. Não é fácil para ninguém jogar com este calor, mas eu senti-me bem. No geral, senti que estávamos ‘frescos’, especialmente no quinto set, onde continuávamos a correr e tudo isso. Ninguém teve cãibras nem nada parecido, por isso não acredito que o calor tenha influenciado, tirando o facto de jogar com calor em terra batida ser um pouco diferente, mas isso é normal.

CONDIÇÕES DISTINTAS EM CADA TORNEIO

Cada torneio tem um court diferente, bolas diferentes e outras condições. Além disso, eu posso estar diferente todos os dias. Não gosto de me levantar cedo e normalmente rendo pior quando acordo às 6h15 da manhã, gosto de dormir mais. Isso faz parte das pequenas coisas, no ténis é preciso adaptarmo-nos e, às vezes, não sou suficientemente bom a adaptar-me, embora noutras vezes consiga. Isso é basicamente tudo o que posso dizer.

MOTIVOS PARA A MÁ FASE

O meu ténis depende de um par de coisas que não consigo controlar. Se a bola não anda, eu não tenho a potência para a fazer andar como o Jannik. A ele isso não importa. Se a bola não anda, ele bate na mesma com potência máxima. Se anda, ajusta um pouco e não precisa de bater tão forte. Eu bato forte e, se a bola não anda, então não anda. Sei que estou em boa forma e que também consigo jogar bem em Roland Garros, consigo mesmo, só que é mais difícil para mim e as primeiras rondas costumam ser mais complicadas, mas virei sempre aqui. Talvez devesse considerar jogar um torneio antes, algo que normalmente não faço antes dos Grand Slams. Quando algo não funciona, porque não mudar? Isso é a única coisa que vou considerar para o próximo ano.

SEM PERDER A ESPERANÇA

Sinto que continuo a ser geralmente bom nos Grand Slams. Sim, agora posso perder na primeira ronda, mas não acredito que tenha perdido a capacidade de render nos Grand Slams. Acho que isso pode voltar a qualquer momento, por exemplo em Wimbledon. Mas, falando no geral dos quatro Grand Slams, acho que o ténis mudou em relação ao que era há cinco anos e não sinto que isso me favorece, agora custa-me muito encontrar ritmo. A primeira ronda é a mais difícil e, depois de a ultrapassar, talvez consiga fazer melhor.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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