Lesão priva Fred Gil de medalhas de ouro no Mundial de Seniores

Por Bola Amarela - August 14, 2026
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FOTO: FPT
Rita Freitas é a última esperança para Portugal conquistar uma medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo de Seniores Individuais que este sábado se concluem no Complexo de Ténis do Estádio Nacional.
 
A campeã do mundo de 2022, 2024 e 2025, sempre no escalão de mais de mais de 35 anos, tenta em 2026, pela primeira vez, ser campeã do Mundo no escalão de +40 e vai jogar amanhã a final de singulares femininos, frente à suíça Laura Bao, num encontro agendado para as 10h00.
 
Portugal era um sério candidato a três medalhas de ouro neste World Tennis Masters Tour World Individual Championships, que a Federação Portuguesa de Ténis está a organizar, sob a égide da World Tennis, a antiga Federação Internacional de Ténis. Simplesmente, Fred Gil, o n.º1 mundial de +40, que estava na sua melhor forma de sempre, desde que ingressou no circuito internacional de veteranos, lesionou-se nas meias-finais de singulares de hoje (sexta-feira).
 
«Foi um dia difícil. Sou sincero, não estava à espera de lesionar-me. Estava a ganhar por 3-1, dormi bem, estava super motivado. E depois houve ali um ponto bastante longo, onde corri a um amortie e senti uma picada no isquiotibial direito. Senti logo que, provavelmente, não iria conseguir jogar mais», explicou o ex-finalista do Estoril Open.
 
Uma lesão na coxa direita que foi-lhe fatal. Deixou de ser capaz de correr para a frente, estava incapaz de fazer mudanças de direção, não pôde saltar para o serviço e, limitado, foi um alvo fácil do suíço Mohammed Fetov, que bateu-o por 6-3 e 6-1. Ou seja, desde o momento em que se lesionou, o português, antigo 62.º do ATP Tour, só somou mais um jogo.
 
«É pena ter acontecido aqui, queria muito ganhar o Mundial, senti-me bem, mas é assim. Tenho de dar descanso agora ao corpo», disse o jogador de Sintra, que procurava um segundo título Mundial individual, depois do de 2022 em +35. De qualquer modo, «o balanço é positivo»: «Fiz bons jogos. O pico da primeira semana foi ter ganho a Espanha (na final do Mundial por Equipas, em +40, na semana passada). Iria haver aqui o segundo pico, se ganhasse o individual. Mas faz parte, não há ‘stress’ nenhum. Vou tentar ganhar para o ano. Também não é o fim do mundo».
 
Assim que Fred Gil se lesionou, em pleno court central do Jamor, Rita Freitas estava nas bancadas e percebeu logo que iria ser complicado jogarem hoje a final de pares mistos, onde eram os 1.º cabeças de série e fortes candidatos ao título: «Eu sei o quanto ele queria ganhar este campeonato. Tenho muita pena. Fomos para os mistos dar o nosso melhor, mas eu sabia que ele não iria estar no seu melhor. Eu gostaria de ter conseguido assumir um bocadinho mais, mas era difícil. O Ul Aq Qureshi é bastante bom, fazia muita diferença. Jogou bem, pressionou bem, fez o que tinha a fazer».
 
Aisam Ul Aq Qureshi, o presidente da Federação do Paquistão, antigo n.º8 mundial de pares no ATP Tour, duas vezes finalista do Estoril Open, aqui, no Jamor, vencendo uma delas, e duas vezes finalista do US Open, uma em pares masculinos e outra em pares mistos. É um craque e, associado à austríaca Nina Herrmann, derrotou a dupla portuguesa na final dos pares mistos por 6-4 e 6-3. Fred Gil tentou, mas as suas limitações eram evidentes.
 
Duas participações da dupla Freitas/Gil em Mundiais e duas finais perdidas, sempre com algumas incidências, pois em 2022, também perderam na final com os alemães Steffi Bachofer e Tony Holzinger (7-5, 6-2), num encontro marcado por uma bolada que a portuguesa levou na cabeça, provocando-lhe uma concussão cerebral. Rita Freitas já foi campeã mundial de pares mistos, mas com José Ricardo Nunes, em 2025.
 
Portanto, com a lesão de Fred Gil, que afetou-o hoje em dois torneios distintos, Portugal não pôde, genuinamente, lutar por essas duas medalhas de ouro. Na cerimónia de entrega de prémios de hoje, dedicada aos torneios de pares deste Mundial Individual, José Ricardo Nunes e João Ferreira receberam medalhas de bronze em pares masculinos +40, enquanto Rita Freitas e Fred Gil tiveram de contentar-se com as medalhas de prata. Amanhã, Fred Gil irá receber a sua medalha de bronze de singulares +40 e Rita Freitas tem a prata garantida, mas, claramente, visa o ouro.
 
E as notícias são boas para a jogadora do Lisboa Racket Center, pois sente-se um pouco mais liberta da pressão que admitiu durante a semana, pela sua invencibilidade em Mundiais Individuais, levando já 15 encontros ganhos e nenhum perdido.
 
«Já estou um bocadinho mais descontraída. Estou na final, agora é o tudo ou nada. Não há nada a seguir a estas duas semanas. Amanhã vou dar o meu melhor. Sinto-me muito bem fisicamente e mentalmente um bocadinho mais relaxada. Acho que vai correr bem», disse a atual n.º2 mundial de +40 e 1.ª cabeça de série do torneio.
 
A vice-campeã nacional absoluta discutirá o título diante da única jogadora que pode orgulhar-se de ter saído por cima num confronto consigo em 2026. Com efeito, em abril, na terra batida de Alassio, em Itália, a portuguesa desistiu quando perdia por 5-1 (rotura num músculo gémeo) frente à suíça Laura Bao. Esta época, Rita Freitas leva 20 encontros ganhos e apenas esse “oficialmente” perdido.
 
Laura Bao também foi tenista profissional, chegou a ser 355.ª WTA. Nos Masters Tour de seniores, a sua melhor classificação foi 11.ª, agora é a 66.ª. Este é também o seu quarto Mundial Individual e a final de 2026 é o seu melhor resultado, vindo sempre a melhorar: 2.ª ronda em 2018 (+35), quartos de final em 2019 (+35) e meias-finais em 2022 (+40).
 
Bola Amarela
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