Kyrgios incrédulo: «Não sei o que se passa. Agora perco e fico contente pelo outro rapaz»

Por Pedro Gonçalo Pinto - Agosto 4, 2021
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Eliminado logo na primeira ronda do ATP 500 de WashingtonNick Kyrgios deu uma conferência de imprensa impactante, na qual foi muito honesto e se mostrou preocupado com a forma como vê o ténis hoje em dia. Mas vamos por partes. Antes de mais, não teve problemas em reconhecer o mérito a Mackenzie McDonald, considerando que o resultado final acabou mesmo por fazer sentido.

“É evidente que não joguei muito bem. Pensei que teria um par de pontos críticos em alguma altura, mas não os aproveitei. Joguei contra um tipo com fome e que jogou muito bem. No fim, sei que não posso ser muito duro comigo, estou há muito sem jogar encontros, então não vou dizer parvoíces. Joguei bastante mal e ele jogou bem, colocou muitas respostas e foi melhor nos pontos chave. Imagino que esteja orgulhoso. É um bom jogador e uma grande pessoa, não lhe tiro nenhum mérito”, começou por afirmar.

Seguiu-se, então, a sequência mais forte da conversa com os jornalistas, durante a qual se mostrou surpreendido pelo que já não sente em court. “Não sinto a importância de certos pontos nem a pressão. A pressão de jogar semana após semana. No ténis, um jogador sente quando deve pressionar, quando deve relaxar… Agora não sinto que o meu corpo e a minha mente interpretem esse tipo de sensações. Entendo que será por não ter jogado tanto. Estou dececionado e sei que agora tenho de ir lidar com muita m**** nas redes sociais, mas sei que não joguei bem. Ainda tenho pares e vou tentar desfrutar um pouco do tempo que ainda vou ter em court. Não posso ser duro comigo agora”, acrescentou.

Questionado sobre se já não se sente competitivo, Kyrgios destacou as diferenças. “Não quero perder nunca, mas custa-me a aceitar dias como este. É estranho. Quando estou em court é como se não notasse a diferença de um ponto de break, não sinto a pressão como antes. É como se não tivesse emoções quando entro em court. Olho à volta, vejo a multidão e não sei o que dizer, não vivo esse momento como há alguns anos. Desfrutava mais do ténis com aqueles altos e baixos. Hoje perco um encontro e fico só chateado. Sinto falta dos dias em que perdia e seguia em frente, quando me multavam por partir raquetes. Nessa altura tudo me importava muito, agora perco e fico contente pelo outro rapaz, não sei o que se passa. Antes não suportava qualquer jogador que me ganhasse”, rematou.

O ténis entrou na minha vida no momento em que comecei a jogar aos 7 anos. E a ligação com o jornalismo chegou no momento em que, ainda no primeiro ano de faculdade, me juntei ao Bola Amarela. O caminho seguiu com quase nove anos no Jornal Record, com o qual continuo a colaborar mesmo depois de sair no início de 2022, num percurso que teve um Mundial de futebol e vários Europeus. Um ano antes, deu-se o regresso ao Bola Amarela, sendo que sou comentador - de ténis, claro está - na Sport TV desde 2016. Jornalismo e ténis. Sempre juntos. Email: pedropinto@bolamarela.pt