Jan de Witt escalpeliza evolução de Bergs numa temporada de afirmação do seu jogador
Zizou Bergs foi o responsável pelo afastamento de Carlos Alcaraz no Masters 1000 de Xangai, ao ter derrotado o espanhol em apenas dois sets na terceira ronda da prova asiática para alcançar a maior vitória da sua carreira, primeira sobre um jogador do top 3 mundial.
O belga de 27 anos deu um grande passo em frente e quebrou uma barreira fortemente assinalável num torneio onde tradicionalmente até se dá bastante bem (chegou aos oitavos-de-final pelo segundo ano consecutivo), mas há muito mais para lá dos resultados que Bergs tem conseguido obter ultimamente.
Pois bem, em declarações ao site da ATP, o seu treinador alemão Jan de Witt, que já orientou no passado jogadores de alto calibre como Gael Monfils e Gilles Simon, falou sobre o que está por detrás da evolução do ténis de Zizou Bergs, revelando vários aspetos-chave para o processo de aprendizagem.
SEMPRE A APRENDER SOBRE O JOGO E NA PROCURA DE NOVA INFORMAÇAO
O meu trabalho enquanto treinador é decidir que partes da estatística podem, efetivamente, ajudar o meu jogador a melhorar e a ganhar mais jogos. Se queres trabalhar ao mais alto nível do desporto profissional, não há como fugir a isso. Depois de aceitares essa realidade, só tens de aprender a fazê-lo bem. Gosto de perceber o que está a acontecer. Sou uma pessoa que gosta de compreender como funciona o mundo, e o ténis é um desporto incrivelmente interessante. Mesmo depois de 30 anos ao mais alto nível profissional, não há um único dia em que não aprenda algo novo ou não compreenda melhor alguma coisa. A tecnologia moderna, a análise de dados, os dados do Hawk-Eye e, agora, a inteligência artificial permitem-nos aprofundar muito mais a compreensão do que acontece em court. Gosto de compreender melhor o jogo e de perceber o que ajuda o meu jogador a ganhar jogos e a tornar-se um melhor tenista.
PRIMEIRO TÍTULO ATP E MELHOR RANKING DA CARREIRA (34.º)
Melhorou em todos os aspetos, e é isso que importa para mim. Mas é importante dizer que é ele quem está a evoluir, não eu. É o jogador que se desenvolve. O meu trabalho é orientá-lo, ajudá-lo, aconselhá-lo, talvez acelerar um pouco o processo e apoiá-lo quando duvida de si próprio. Mas é sempre o jogador que dá os passos necessários.
DERROTAS COM DJOKOVIC, ALCARAZ E SINNER EM 2025
Esses encontros foram extremamente importantes para nós. A maior lição para o Zizou foi perceber que aqueles jogadores são incrivelmente bons — são os melhores do mundo —, mas não são intocáveis. Estamos ansiosos por voltar a defrontá-los a todos. Da próxima vez, o objetivo é simples: vencê-los.
METICULOSA IDENTIFICAÇAO E FILTRAGEM DOS DADOS ESTATÍSTICOS
Depois de cada encontro, analiso aprofundadamente toda a informação disponível para perceber o que fizemos bem e aquilo que precisamos de melhorar. Existem ferramentas excelentes e profissionais muito competentes que nos ajudam a filtrar esses dados e a extrair a informação que pode realmente contribuir para a evolução do jogador. O objetivo passa sempre por identificar aquilo que pode ajudar o jogador a dar o próximo passo. Não utilizamos a tecnologia apenas por utilizar. Por mais interessante que seja, a única questão que importa é perceber se contribui para a evolução do jogador.
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