Hoje damos os parabéns a João Sousa – o novo trintão do circuito

Por Susana Costa - 30 Março, 2019

Com três títulos ATP conquistados, quatro triunfos carimbados sobre jogadores do top-10 e um sem-número de semanas entre os melhores 50 do ranking, João Sousa é, inegavelmente, um jogador do mundo. Mas um jogador do mundo português. Isso ninguém nos tira.

E se os motivos para enaltecer os feitos do nosso melhor de sempre saltam, normalmente, à vista, este sábado, 30 de março, as razões multiplicam-se. O vimaranense completa 30 anos, e, para assinalar a data, reunimos (apenas) seis bons pretextos para fazer tchin tchin ao jogador que tanto nos tem brindado com gloriosos resultados:

 

1. O tweener lob que correu mundo

 

Sem dúvida que este ponto vai ficar registado na minha memória como um dos melhores pontos da minha carreira.

João Sousa jogava em Umag, na Croácia, e nós por cá estávamos a vê-lo abrir caminho até à final, com grande classe. Logo a abrir as hostilidades, o vimaranense deu-se ao luxo de engendrar o melhor ponto do torneio, ao arrancar um tweener lob que acabou a correr o mundo, desenfreadamente. Foi destaque na imprensa de todo o mundo, mas não precisamos de ir muito longe para atestar a espetacularidade do momento. O vídeo partilhado pelo Bola Amarela teve mais de 1,2 mil likes, 1,2 mil partilhas e chegou quase às 100 mil visualizações:


 

 

2. As picardias com Frederico Marques

 

João Sousa e Frederico Marques, Frederico Marques e João Sousa. De uma forma ou de outra, mas não separados, porque eles não se vêem um sem o outro desde que o destino os juntou em Barcelona, quando um tinha 15 e o outro 18 anos. E se as peripécias que têm partilhado no court são incríveis, as que protagonizam longe dos holofotes dão pano para mangas:

“O João detesta perder comigo e eu detesto perder com ele. Mesmo no telemóvel. Houve um jogo em que ele começou a jogar antes de mim e eu acordava às 4 horas da manhã e ia para a casa de banho jogar para conseguir mais pontos. Ele acordava de manhã e dizia ‘mas como é que é possível?!’, e eu caladinho. Ele não percebia como é que aquilo acontecia porque jogava mais horas.

Mas ele é muito melhor do que eu em muitos jogos. Como sabe que o triatlo é uma coisa que eu faço bem, ‘pica-me’. Há uns dias, saímos 3 horinhas de bicicleta e sempre que me via a subir, acelerava para tentar deixar-me para trás. Realmente nisso ele é muito bom, é muito competitivo, e por isso é que está onde está” [Frederico Marques em entrevista ao Bola Amarela em 2014].


 

3. Os melhores de olho em si: Roger Federer e Mats Wilander

 

“Continuo a acreditar que o João pode, com um quadro bom, chegar mais longe num Grand Slam. Tem jogo para chegar aos quartos-de-final, porque tem um ténis muito físico, consistente. É um jogador sólido”. [Mats Wilander ao Eurosport]

“O João [Sousa] é boa pessoa. Gosto de discutir futebol com ele. Está sempre bem-disposto, tem uma boa atitude, e estou sempre à espera que ele jogue ainda melhor”. [Roger Federer ao Jornal A Bola]


 

4. O mais poliglota do circuito

 

Português, catalão, castelhano, inglês, francês e italiano. É só escolher, porque João Sousa fala seis línguas com tal desenvoltura que o torneio de Roland Garros o considerou o mais poliglota do circuito, há um par de anos. “Sempre gostei de aprender outras línguas com amigos, na escola, quando era mais novo. Não tenho medo de falhar algumas palavras, isso é importante para aprender. O italiano foi nos torneios, é muito semelhante ao espanhol. É fácil para mim aprender”. Croata? “Não, acho que não. “Mas talvez haja alguma croata disposta a ensinar-me… Estou a brincar, claro”.


 

5. Reconhecer o seu próprio som quando bate na bola: check

 

João Sousa podia ter perfeita e compreensivelmente dispensado participar no nosso desafio, depois de ter sido afastado por Nicolas Almagro na segunda ronda do Millennium Estoril Open de 2017, mas aceitou entrar na brincadeira com doses generosas de galhofa e fair play.

O teste passava por tentar reconhecer o seu próprio som quando bate na bola. Desafio superado, mesmo que, desconfiamos, Gastão Elias ainda continue a teimar que não…


 

6. No topo do mundo

 

Deixar o melhor para o fim? Impunha-se. João Sousa é campeão de três títulos ATP 250 – isto continua a soar tão incrível como sempre, passados cinco anos e meio depois de conquistado o primeiro, três anos e meio depois do segundo e um ano depois do terceiro. O palmarés foi inaugurado em Kuala Lumpur, na Malásia:

… foi avolumado na vizinha Espanha, em Valência com a conquista do segundo troféu ATP da carreira:

… e o terceiro título, esse, viria a ser conquistado, de forma apoteótica, bem perto dos nossos olhos, no Millennium Estoril Open 2018. Ainda dá (e dará) arrepios:

CAMPEÃO!!!!

Publicado por Bola Amarela em Domingo, 6 de maio de 2018

Palavras para quê.

Publicado por Bola Amarela em Domingo, 6 de maio de 2018

<3

Publicado por Bola Amarela em Domingo, 6 de maio de 2018

 

Susana Costa
Descobriu o que era isto das raquetes apenas na adolescência, mas a química foi tal que a paixão se mantém assolapada até hoje. Pelo meio ficou uma licenciatura em Jornalismo e um Secundário dignamente enriquecido com caderno cujas capas ostentavam recortes de jornais do Lleyton Hewitt. Entretanto, ganhou (algum) juízo, um inexplicável fascínio por esquerdas paralelas a duas mãos e um lugar no Bola Amarela. A escrever por aqui desde dezembro de 2013.