Cabral após voltar a jogar com Borges: «Posso dizer que é o meu parceiro favorito»
Francisco Cabral e Nuno Borges voltaram a jogar juntos nesta edição do Millennium Estoril Open, onde entraram com uma vitória que dá acesso aos quartos de final. Em conferência a dupla portuguesa mostrou-se feliz com o nível mostrado, e ainda tiveram tempo para comentar a polémica com o ATP.
REVALIDAR TÍTULO DE PARES DE 2022
NB: “Acho que depois de um dia como hoje, continuar a dar ênfase ao quão importante é manter-me aqui neste momento. Estou muito contente com esta vitória. Exatamente da mesma maneira que encarei este jogo como uma final, vou encarar o próximo, portanto isso aplica-se a todos os meus jogos, tanto de singulares como de pares”.
ANÁLISE AO JOGO
FC: “Não me lembrava da última vez que tínhamos jogados juntos. Mas felizmente há uns anos atrás fizemos muitos jogos juntos, e tanto ele como eu sentimo-nos muito bem a jogar juntos. Há rotinas que não se perdem para além de sermos grandes amigos. Ele teve uma derrota pesada nos singulares, num torneio onde há muitas expectativas e muita pressão em cima dele. E é de elogiar a maneira como ele virou a página e focou-se a 100% nos pares, e fazer um grande jogo. Frente a uma dupla complicada, uma dupla que eu tinha perdido este ano em Roland Garros. Acabou por ser um 7-6 e 7-6, mas acho que ao longo do jogo fomos claramente melhores, fomos quem criamos mais oportunidades, e acho que os dois tie-breaks foram apenas o reflexo do que tinha sido os dois sets, mas fomos os justos vencedores”.
TEMPORADA DE FRANCISCO CABRAL
FC: “Eu acho que ao nível que eu estou, as vezes é muito fácil olhar e dizer “só ganhou um jogo esta semana, ou este mês”, mas acho que as pessoas ás vezes não têm a noção da dificuldade que é estar no ATP, semana após semana porque todos são muito bons, todos querem ganhar. E falando particularmente dos pares, uma pessoa pode jogar um jogo inacreditável, hoje podíamos ter jogado dois sets inacreditáveis, e chegar ao tie-break e eles meterem duas bolas na linha, e se calhar passa a mensagem para fora de que estamos a jogar mal, ou a fazer um mau ano. Eu disse isto no inicio do ano, os pares é um jogo cada vez mais decidido nos detalhes. Ás vezes nos pares acho que é difícil analisar uma época completa, mas eu estou satisfeito, acho que estou a jogar bem, e a um bom nível. Se calhar sim, gostaria de ter um parceiro com que eu clicasse mias fácil, mas enquanto não tenho é continuar a trabalhar e à procura, porque acho que o nível está lá”.
NUNO COMO PARCEIRO FAVORITO
FC: “Era muito burro da parte dele querer jogar pares a tempo inteiro. Posso dizer que sim que é o meu parceiro favorito, não só tenisticamente, mas pela amizade que temos, e acaba por ser tudo mais confortável quando estamos a jogar. Mas é uma realidade que neste momento não é uma realidade. Neste momento continuo à procura de parceiro, também tenho bons amigos no circuito de pares, também já estou lá há alguns anos”.
IMPORTÂNCIA PARA O NUNO A VITÓRIA NOS PARES
NB: “Não sei se me ajudou, mas não é a primeira vez que saio de um singular desastrado e vou para o par. Mas muitas vezes acontecia isso, ele é o meu parceiro de pares favorito, não temos jogado tantas vezes mas é muito melhor o à vontade que temos. Apesar de não termos jogado tantas vezes vamos buscar referências a jogos anteriores, é com ele que me sinto mais confortável. Eu não tenho o meu jogo tão adaptado para o ajudar da maneira certa às vezes. Hoje se tivesse um bocado mais introsado na coisa sinto que podíamos ter simplificado o jogo. Merecemos a vitória, mas tivemos ali dois ou três pontos de ouro que se eu tivesse melhor, tínhamos simplificado”.
POLÉMICA COM O ATP
FC: “Eu não sei nada de novo, obviamente é o meu trabalho o meu emprego, saindo uma noticia dessas estou preocupado. Mas não há grande coisa que eu possa fazer, acho que sei tanto quanto vocês. Nós jogadores de pares continuamos a lutar pelo nosso lugar no circuito, no fundo o ATP vai acabar por fazer o que quer, e o que for melhor para o ténis. Cabe aos jogadores aceitarem isso”.
NB: “Ainda há bastante tempo para o US Open ou Turim, para sabermos a decisão. Eu acho que os tempos mudaram, um jogador de singulares já não consegue jogar tantos jogos de pares, como se jogava antigamente e claramente que houve uma mudança gigante na presença dos quadros principais, que 90% eram jogadores de singulares. Agora há o chamado duplista, alguns que já começam a carreira nos pares. Eu percebo um pouco isso, é uma maneira de jogar os melhores torneios do mundo, sem passar pelos singulares. Acaba por fazer sentido, financeiramente nem tanto, mas acho que o ATP de alguma maneira esta a tentar controlar essa via. Não estou de acordo com muita coisa, acho que a mudança no prize money é inevitável, pelo menos nesta altura. A mudança dos quadros pelo menos a nível dos challengers acho bem. Agora o duplista é uma nova realidade do ténis, que é para ficar”.
- Categorias:
- ATP World Tour