Fognini fala sobre o feito de Cobolli: «Terá de aprender a conviver com este novo estatuto»
Fabio Fognini abandonou a modalidade em 2025 mas não é isso, bem pelo contrário, que o faz estar alheio àquilo que se vai passando no circuito e principalmente em relação aos seus compatriotas, que impulsionados pelo domínio do número um mundial Jannik Sinner têm também crescido a pulso nestes últimos anos.
O antigo top 10 mundial foi visto no último domingo a acompanhar de perto a final de Roland Garros, no apoio ao amigo Flavio Cobolli, que fechou a melhor quinzena da carreira como vice-campeão de um torneio do Grand Slam e garantiu, com esse feito, a estreia no top 10. Em entrevista ao Gazetta Dello Sport, o ex-tenista profissional de 39 anos natural de Sanremo abordou diversos tópicos interessantes, fez a análise ao encontro que encerrou a 125.º edição do Major parisiense, falou da amizade que tem com Cobolli e ainda revelou os conselhos que o próprio deve ouvir para dar o próximo passo e fazer frente aos melhores do Mundo.
BREVE ANÁLISE À FINAL DE ROLAND GARROS
No primeiro set, aconteceu o que eu esperava: ele estava muito tenso, com pressa e cometeu erros. Depois, houve chances e erros de ambos os lados, mas o importante é que o nível estava lá. No quinto set, na minha opinião, o aspeto mental foi o fator decisivo: depois de duas semanas tão intensas, começa se a sentir o peso de tudo o que passou. Mas uma coisa é certa: ele provou o seu valor na terra-batida. É verdade que o caminho ficou mais fácil, e alguns dirão que o Flávio teve sorte, mas quando se tem a oportunidade, é preciso ser se bom para aproveitá-la. E ele foi. Falaremos mais nos próximos dias, mas a primeira coisa que eu disse a ele quando o vi foi ‘Bravo‘. Devemo nos concentrar em todas as coisas positivas que aconteceram nessas duas semanas.
COMO COMEÇOU A AMIZADE COM COBOLLI
Quando o conheci, eu tinha 33 anos. Estava a recuperar de problemas físicos, cirurgias no tornozelo e muitas lesões. Lembro-me de estar em Roma com Barazzutti em 2020, a ver o Flavio e o Matteo Gigante. ‘ Olha como esses dois garotos jogam bem ‘, disse eu. Um deles lembrava me um pouco de mim mesmo, alguém que não era competitivo no court, mas que corria e lutava. Esse era o Flavio, e é por isso que me vejo refletido nele. Ele é forte, competitivo, mas também tem um lado muito humano. É um cara bonito, tem um sorriso lindo e sabe conectar se com as pessoas. Talvez ele se irrite menos facilmente do que eu me irritava na idade dele, mas ele tem muitas características que me lembram o jovem Fabio, e é por isso que me empolga tanto vê-lo no court.
PREVISÃO PARA O FUTURO PRÓXIMO E OS PRINCIPAIS DESAFIOS QUE COBOLLI VAI TER PELA FRENTE
Neste momento, Sinner e Alcaraz ainda estão um passo à frente de todos, mas há espaço atrás deles. Dito isto, há espaço entre o quarto e o décimo lugar no ranking, e Flavio pode estar nesse grupo. Agora começa a parte difícil. De agora em diante, as expectativas serão maiores e ele terá que aprender a conviver com essa nova dimensão. Tem de encarar tudo com calma, pensar em si mesmo, no calendário e ter a coragem de almejar o topo. Quando se chega lá, queremos ficar, mas a dificuldade está justamente aí. De repente, todos esperam algo de ti e, acima de tudo, começas a esperar algo de ti mesmo. O Flavio não se deve sentir obrigado a fazer nada. Precisa é de continuar a trabalhar e lutar como sempre fez.
UM CONSELHO PARA O MAIS RECENTE MEMBRO DO TOP 10
Só dou conselhos se me pedirem. Não gosto de impor a minha vontade, mas disse ao Flavio para começar a pensar como um jogador de elite. Quando estás próximo do top 10, é preciso mudar a mentalidade e já não se pensa em jogar todos os torneios, mas sim em escolher aqueles que lhe permitam render ao seu melhor nível.
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