Draper inscreve-se num Challenger e evidencia o momento difícil que atravessa
A presença de Jack Draper na lista de inscritos do Challenger de Brownsburg, que se disputará entre 10 e 16 de agosto, chamou a atenção do mundo do ténis. Não é habitual ver um jogador que, há apenas alguns meses, disputava as fases decisivas dos maiores torneios inscrever-se numa prova desta categoria, sobretudo quando coincide com a reta final do Masters 1000 do Canadá e o arranque do Masters 1000 de Cincinnati.
No entanto, a decisão faz sentido quando se analisa o momento complicado que o britânico atravessa.
As sucessivas lesões provocaram uma queda tão acentuada que Draper ocupa atualmente o 147.º lugar do ranking ATP, uma realidade muito distante da do jogador que chegou a ser número 4 do mundo e finalista de um torneio do Grand Slam.
Agora, inicia uma fase completamente diferente da carreira: a de reconstruir o seu percurso a partir das categorias inferiores.
A inscrição em Brownsburg deverá responder, muito provavelmente, a uma questão puramente estratégica. Draper não dispõe de Ranking Protegido, uma vez que não esteve afastado da competição durante tempo suficiente para cumprir os requisitos necessários para beneficiar desse mecanismo.
Desta forma, o britânico fica obrigado a depender da sua posição atual no ranking ATP ou de convites (wild cards) para conseguir entrar nos principais torneios do circuito.
Caso não receba um wild card para o quadro principal de Cincinnati — algo que poderá mudar se conseguir bons resultados em Washington ou no Canadá —, o britânico poderá considerar muito mais vantajoso disputar um torneio Challenger do que enfrentar uma exigente fase de qualificação de um Masters 1000. Além de aumentar as probabilidades de somar pontos, terá também a oportunidade de acumular encontros e recuperar ritmo competitivo.
A inscrição em Brownsburg simboliza na perfeição o enorme desafio que Draper tem pela frente. Depois de vários anos a competir entre os melhores jogadores do mundo, o britânico terá agora de reconstruir o seu ranking, a sua confiança e o seu ténis a partir de uma posição bastante distante da elite.
O talento nunca esteve em causa, mas o circuito não dá margem para erros e a luta pelo regresso ao top 100 promete ser intensa. Os próximos meses serão decisivos para perceber se Draper conseguirá, finalmente, ultrapassar os problemas físicos e voltar a ocupar o lugar que muitos acreditavam estar reservado para ele entre a elite do ténis mundial.
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