Djokovic: «Reforma? Sou número quatro do mundo e continuo a competir ao mais alto nível»

Por Nuno Chaves - Janeiro 17, 2026

Novak Djokovic vai iniciar a sua temporada no Australian Open e a expetativa em perceber como está o sérvio é alta, tendo em conta que não disputou qualquer encontro oficial.

O tenista de 38 anos passou esta madrugada pela sala de conferências de imprensa para fazer a antevisão ao torneio e voltou a demonstrar o desejo de desafiar Carlos Alcaraz Jannik Sinner mas, desta vez, houve algo novo.

Pela primeira vez, Djokovic admitiu que mudou o foco: em vez de pensar no 25.º Grand Slam, Nole garante que vai começar a olhar mais para o palmarés impressionante que conquistou ao longo da carreira.

DE VOLTA A MELBOURNE

É fantástico voltar mais uma vez, é a minha 21.ª vez neste torneio, é algo incrível. É tremenda a quantidade de vezes que vim à Austrália, creio que em 2005 foi a primeira vez que me qualifiquei para um Grand Slam, joguei a sessão noturna na Rod Laver Arena contra o Marat Safin, que viria depois a ganhar o título. Foi uma longa viagem, mas muito bem-sucedida. Este foi o meu Grand Slam mais bem-sucedido, sempre adorei jogar na Austrália, por alguma razão é o Happy Slam. Estamos todos muito motivados para começar a temporada da melhor forma possível, por isso tento não dar como garantida nenhuma das oportunidades que me surgem. Espero tirar o melhor de mim neste torneio.

COMO FOI A PRÉ-ÉPOCA

Terminei a temporada na primeira semana de Novembro, por isso passou bastante tempo desde a última vez que competi. Tirei algum tempo de descanso, também para reconstruir o meu corpo, já que esta é a tarefa que mais tempo me tem ocupado nos últimos dois anos, tanto no reinício como na recuperação. Infelizmente, tive um pequeno contratempo que me impediu de competir em Adelaide, por isso não viajei para lá, mas aqui tem corrido muito bem até agora. Obviamente, todos os dias há sempre alguma coisa para cada um de nós, mas no geral sinto-me bem para competir.

NOVO MINDSET DE DJOKOVIC

Falei muito do 25.º Grand Slam, mas agora tento concentrar-me no que já alcancei, não no que ainda posso alcançar. Espero que esta mensagem passe: acho que 24 também não é um mau número, tenho de o valorizar e lembrar-me da carreira incrível que tive. Isto liberta-me de algumas expetativas e de pressão desnecessária, embora haja sempre pressão e expectativas, já não com a mentalidade de que tem de ser agora ou nunca. Não acho que isso seja necessário, é algo que não me permitiria sobressair ou render ao máximo. Sei que quando estou saudável, quando sou capaz de juntar todas as peças, posso vencer qualquer um. Se não tivesse essa confiança em mim, não estaria aqui sentado convosco. Ainda tenho essa motivação, mas compreendo que o Sinner e o Alcaraz estão a jogar a um nível diferente de todos os outros. Isso é um facto, mas não significa que mais ninguém vá ter uma oportunidade.

CARREIRA IMPRESSIONANTE

Olhando para a minha carreira, acho que sou a última pessoa que deveria queixar-se ou arrepender-se de alguma coisa. Quebrei praticamente todos os recordes deste desporto, por isso estarei eternamente grato ao ténis por me ter dado a oportunidade de viajar pelo mundo e viver o meu sonho, porque este sempre foi o meu sonho. Ainda estou a viver o sonho, para ser honesto. As conquistas estão lá e são uma das maiores motivações que se pode ter, mas não são a única. Há a paixão, o amor pelo jogo, a interação com as pessoas, essa energia que sentes quando entras no campo. É como uma descarga de adrenalina, quase como uma droga. Muitos dos melhores atletas do mundo identificam-se com isto, é muito viciante, daí todos quererem repetir. Muitos perguntar-me-ão quando será a data do meu fim, mas não quero falar ou pensar nisso ainda, porque continuo aqui a competir. Quando chegar, partilhá-lo-ei convosco e discutiremos uma digressão de despedida, mas neste momento continuo a ser o n.º 4 do mundo, continuo a competir ao mais alto nível, sinto que não há necessidade de ter essa discussão.

O QUE FALTA PARA BATER ALCARAZ E SINNER

Falta-me um pouco de ritmo competitivo nas pernas para conseguir competir com estes rapazes nas fases finais dos Grand Slams. Estou a dar o meu melhor, como fiz em 2025, ano em que acho que estive muito bem, desafiei-os no caminho para o título. Não precisamos de elogiar mais o Sinner ou o Alcaraz, já foram suficientemente elogiados (risos). Sabemos o quão bons eles são, merecem estar onde estão, são as forças dominantes do ténis masculino atual. No meu caso, continuo a tentar estar lá, não tanto em termos de ranking — embora seja ótimo ser o n.º 4 —, mas isso não influencia a forma como encaro um Grand Slam. A minha prioridade agora é cuidar do meu corpo e tratar cada jogo como se fosse uma final, mas criando impulso e sem gastar energia desnecessária. Espero poder ir longe outra vez, adoraria ter a oportunidade de lutar com um deles ou talvez com os dois. Vamos ver o que acontece.

Leia também:

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.