Del Potro em lágrimas: «Durmo com dores há dois anos e meio…»

Por Pedro Gonçalo Pinto - Fevereiro 5, 2022

Era a notícia que ninguém queria ouvir. Juan Martín Del Potro vai colocar um ponto final na carreira. Na carreira e no sofrimento que sente diariamente devido aos graves problemas no joelho direito. A revelação foi feita numa conferência de imprensa emocionante que tocou todos os amantes da modalidade.

“Estou há muito tempo a imaginar este momento, é uma das mensagens mais difíceis que vou transmitir. Toda a gente pensa que vou fazer um regresso ao ténis, mas não é assim. Venho a fazer demasiado esforço para seguir em frente e o joelho está a fazer-me viver um pesadelo. Há muitos anos que estou a tentar, muitas alternativas, tratamentos, médicos, maneiras diferentes de tentar resolver isto, mas não consegui. Nunca imaginei retirar-me sem ser a jogar, então não encontrei melhor torneio do que o de Buenos Aires. Depois destas semanas Deus dirá o que vai acontecer com o meu futuro, mas decido viver como uma pessoa de 33 anos sem dores”, comentou logo a abrir a conferência.

Del Potro vai jogar Buenos Aires e ainda o ATP 500 do Rio de Janeiro, revelando que o que está a fazer é a despedida para depois ser operado uma última vez. O adversário será Federico Delbonis, um adversário “perfeito”. “Calhou-me um amigo, não podia pedir ninguém melhor. Terça-feira vai ser um dos dias mais especiais da minha carreira. Sempre disse que queria dizer adeus a jogar ténis, não numa sala de imprensa. Por isso aceitei este desafio ao entrar no torneio em que comecei a minha carreira”, apontou.

A Torre de Tandil explicou que o sofrimento era demasiado grande para o continuar a aguentar. “A dor passou a ser quotidiana, não era só no desporto. Gosto de estar ativo, correr, jogar futebol… E não posso fazer nada disso. Imaginem jogar ténis. A mensagem que quero passar é que nunca me dei por vencido, mas ainda me custa mexer hoje em dia”, acrescentou.

E o pior é que até parado sentia dores. “Durmo com dores há dois anos e meio, começaram a acontecer coisas incríveis. Antes conduzia durante três horas e agora tenho de parar para fazer alongamentos. A minha luta é uma questão de saúde, de ganhar qualidade de vida, depois logo se vê. Sendo honesto, tenho de passar esta mensagem hoje. Não posso continuar a falar de regressos, de ranking ou de voltar a ser o que era antes, essa é a realidade. Se algum dia conseguir dar a volta a isto e resolver as minhas limitações, então logo se verá”, rematou.

Pedro Gonçalo Pinto
Comentador Sport TV e ligado ao Jornal Record. Ténis acima de tudo.