Carlos Costa lembra o dia em que Rublev treinou com… um buraco na mão

Por Pedro Gonçalo Pinto - April 21, 2023
rublev monte carlo
Divulgação/Rolex Monte-Carlo Masters

Carlos Costa é o fisioterapeuta de Andrey Rublev e esteve à conversa num Bola Amarela Podcast muito especial. Entre muitas histórias que partilhou connosco, o conceituado profissional português falou sobre como se deu a oportunidade de trabalhar com o russo, bem como um episódio que mostra o compromisso de Rublev com os companheiros de profissão. Além disso, também nos fala de… Coca-Cola. O melhor é mesmo ler, ouvir e ver tudo!

COMO É O DIA-A-DIA COM RUBLEV

Faço fisioterapia, osteopatia e prevenção e reabilitação muscular. O dia-a-dia começa logo de manhã com um check in do corpo. Faço uma análise geral, se há algum músculo mais tenso, alguma articulação com falta de mobilidade e tento manter os níveis de mobilidade, flexibilidade e dentro de uma normalidade funcional para o jogo. Depois desse tempo, ele vai treinar. Se ele tiver dois treinos, posso fazer um bocado de alongamentos ou algum exercício específico. No fim do dia há o tratamento normal, que varia. Já fiz tratamentos de 45 minutos, de uma hora e meia, mas no geral é entre uma hora e hora e meia.

COMO SURGIU A HIPÓTESE DE TRABALHAR COM RUBLEV

Estava na Austrália e a decidir que queria parar com o Dominic. Decidi que era esse o próximo passo e fui ao lobby do hotel. Por coincidência estava lá o treinador do Rublev, o Fernando Vicente, expliquei-lhe o que se estava a passar, que não estava muito contente com o que se estava a passar com o Thiem e ele disse que tinha as portas abertas porque já tínhamos trabalhado no passado. Foi há coisa de dois anos quando estava com o Karatsev, fizemos uma ou duas semanas em que eu estava com os dois. Ele tinha gostado muito e ficámos com uma ligação. Foi no momento certo porque eles tinham perdido o fisioterapeuta que tinha mudado para a Sakkari. Estavam à procura de outro e como já me conhecia, o Rublev queria mesmo que fosse eu por acaso, depois disseram-me.

https://podcasters.spotify.com/pod/show/bolamarelapodcast/episodes/BAP-Especial–conversa-com-Carlos-Costa–fisioterapeuta-de-Rublev-e22p93d

O TREINO DE RUBLEV COM… UM BURACO NA MÃO

Rublev trabalha mesmo muito bem e todos os outros jogadores gostam de treinar com ele. Uma vez, quando o Dominic estava na última fase da recuperação, tínhamos o mesmo agente, o Galo Blanco. Houve uma conexão e fomos até Barcelona, onde estivemos a treinar uma semana. O Rublev tinha uma verruga muito grande na mão e o médico aconselhou a tirar na semana anterior a termos ido lá treinar. A verruga era gigante, tiraram, limparam e ficou com um buraco enorme na mão. Só para não dizer que não ao Dominic, treinou com a mão naquele estado e eu nem acreditava que aquilo era possível. Estava muito mal mesmo, mas treinou a semana toda porque se tinha comprometido. Até o Dominic dizia que no lugar dele não treinava. Ele tinha dores do início ao fim do treino e de alguma maneira bloqueava a dor e continuava a treinar. Era impossível o que ele estava a fazer!

RUBLEV E… AS COCA-COLAS

Tento deixá-los viver como gostam! Mas normalmente aconselho a não comerem tantos açucares ou não se deitarem tão tarde. O Rublev tem uma tendência de beber muitas coca-colas. Ele agora está a trabalhar com uma nutricionista e estamos a tentar mudar essa mentalidade. Mas é a única coisa que ele faz. Ele não come sobremesas. A não ser a coca-cola, não há mais nada que ele faça. Se bebe coca-cola desde pequeno porque gosta e é a única coisa de acuçares, porque não? Também não vai influenciar assim tanto. A única coisa que estávamos a tentar mudar era de não beber coca-cola tão tarde porque como tem cafeína pode influenciar o sono e a recuperação pode não ser tão boa. Até está a mudar, mas ganhou Monte Carlo e a primeira coisa que foi fazer foi beber uma coca-cola.

O ténis entrou na minha vida no momento em que comecei a jogar aos 7 anos. E a ligação com o jornalismo chegou no momento em que, ainda no primeiro ano de faculdade, me juntei ao Bola Amarela. O caminho seguiu com quase nove anos no Jornal Record, com o qual continuo a colaborar mesmo depois de sair no início de 2022, num percurso que teve um Mundial de futebol e vários Europeus. Um ano antes, deu-se o regresso ao Bola Amarela, sendo que sou comentador - de ténis, claro está - na Sport TV desde 2016. Jornalismo e ténis. Sempre juntos. Email: pedropinto@bolamarela.pt
Bola Amarela
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