Boris Becker: o ‘puto’ maravilha que distribuía ‘ases’ à força de canhão

Por Tiago Ferraz - Julho 30, 2020
Boris-Becker
Fotografia: DPA

O Bola Amarela continua a dar (ainda mais) cor aos grandes nomes do ténis mundial e, nesse sentido, esta quinta-feira, viramos a agulha para a história de um dos tenistas mais talentosos da sua geração: o alemão Boris Becker.

Boris Becker nasceu a 22 de novembro de 1967 em Limen, na Alemanha, e tornou-se profissional 17 anos depois, em 1984, num ano que ficou marcado por um feito positivo e que era um bom presságio para o que aí vinha: o alemão venceu o seu primeiro título como profissional, na variante de pares, ao vencer o ATP 250 de Munique naquele que foi o seu único título na temporada de estreia.

A entrada triunfal e surpreendente no mundo profissional do ténis na variante singular deu-se no ano seguinte: em 1985, Boris Becker ‘chocou’ o mundo ao vencer o torneio de Wimbledon com apenas 17 anos de idade para se tornar no tenista mais novo de sempre a conquistar o céu na catedral do ténis com 17 anos e sete meses (o registo foi ultrapassado por Michael Chang que venceu Roland Garros quatro anos mais tarde, em 1989, quando tinha 17 anos e três meses). Com este registo fez-se mais história: Becker tornou-se no primeiro tenista alemão a conquistar Wimbledon e conseguiu fazer o que mais ninguém fez: venceu o ‘major’ quando partiu para o mesmo com o estatuto de não cabeça-de-série. Neste mesmo ano, o germânico Boris Becker viria a fazer a festa por mais duas vezes ao conquistar o ATP 500 de Queen’s e o Masters de Cincinnati.

Boris Becker Wimbledon 1985

 

No ano seguinte, em 1986, com apenas 18 anos, Boris Becker voltou a ser feliz no Reino Unido, em particular, no torneio de Wimbledon ao conquistar o torneio pela segunda vez na carreira e pelo segundo ano consecutivo, batendo na final nada mas nada menos do que o número um mundial da época Ivan Lendl.

O jovem talento cedo se afirmou, também, na Taça Davis: Boris Becker era um exímio tenista também na variante de pares e, ao longo da sua carreira, ajudou a seleção alemã a vencer a prova por oito vezes nos anos de 1985, 1986, 1987, 1988, 1989 e 1991, 1992 e 1995 num registo que o deixou ‘eternizado’ como um dos grandes tenistas de sempre da competição.

O jovem alemão Boris Becker estava lançado para o sucesso e voltou a demonstrá-lo em 1987 quando conseguiu vencer, novamente, o torneio de Queen’s ao qual juntou as vitórias nos ATP de Milão e em Indian Wells. Depois destas, vieram muitas mais conquistas que deixaram Boris Becker nas bocas do mundo: o alemão só teve que esperar mais dois anos para festejar o ‘tri’ em Wimbledon depois de bater no encontro decisivo o sueco Stefan Edberg num ano que foi muito positivo para o germânico: em 1989, além de Wimbledon, Becker venceu também o US Open e aumentou para quatro os seus títulos do Grand Slam depois de vencer Ivan Lendl, número um mundial na altura. Neste ano, os registos de Boris Becker foram quase perfeitos: o alemão venceu seis dos 13 torneios em que participou com um total de 64 vitórias e apenas oito derrotas.

Em 1991 e 1996, Boris Becker conseguiu somar mais dois títulos do Grand Slam ao palmarés (venceu seis no total da carreira). Em 1996, Boris Becker chegou à Austrália, com 28 anos, e numa altura em que os seus anos de glória já pareciam ter passado, o alemão ligou o modo “génio” e deu um autêntico espetáculo no país dos cangurus ao vencer a final perante Michael Chang com parciais ‘arrasadores’: 6-2, 6-4 e 6-2.

Ao longo da sua carreira, Boris Becker marcou, ele próprio, um estilo de jogo muito vincado que assentava muito no jogo de rede e num serviço ‘explosivo’ que lhe valeu a alcunha de «Boom, Boom» por ser demasiado feroz, isto é, por ter um serviço que era considerado uma ‘arma de guerra’, tal a potência imprimida. Para além disso, Boris Becker era dono de uma direita fabulosa e de um jogo de rede muito bom, Boris Becker cedo se tornou um ídolo para milhares de pessoas quer pelos resultados desportivos, quer pela sua popularidade fora dos courts pelo facto de Becker ser alto, loiro e dar nas vistas.

Ao longo da sua carreira, Boris Becker venceu 49 títulos na variante individual, (entre os quais se destacam seis torneios do Grand Slam, como já vimos) e 15 na variante de pares e conseguiu estar no topo do ranking mundial por 11 vezes durante os seus 16 anos de carreira ao mais alto nível. A nível monetário, Boris Becker somou mais de 25 milhões de dólares em prize-money. Uma carreira tão recheada valeu-lhe um lugar ‘ao lado’ dos melhores de sempre da modalidade e, nesse sentido, o seu nome está no International Tennis Hall of Fame desde 2003.

Ainda assim, após o final da sua carreira em 1999, Boris Becker não teve a vida tão facilitada quanto se podia esperar de um campeão que já ganhou tanto dinheiro ao longo de tantos anos: o alemão ‘desligou’ do ténis e dedicou-se ao póquer onde terá perdido mesmo muito dinheiro. Como resultado da falta de gestão das suas receitas, Boris Becker acumulou milhares de euros em dívidas que se estimam estar fixadas em milhões de euros sendo que só o seu antigo sócio pediu-lhe 36,5 milhões de euros. Entretanto, no final de 2019, conseguiu o “perdão” de uma dívida milionária que detinha há mais de quatro anos. Além disso, o alemão chegou a leiloar os troféus que venceu para ganhar dinheiro e ajudar a pagar as dívidas.

No pós carreira, Boris Becker tem ainda no currículo o facto de ter treinado Novak Djokovic, tendo ajudado o sérvio a atingir topo onde se mantém nos dias de hoje e começou (e continua) a jogar póquer para ‘desafiar’ as mesas de por todo o mundo à procuras dos ‘ases’ que deixou nos courts.

Com tudo isto, não podemos esquecer o enorme contributo que o tenista germânico Boris Becker deu à modalidade da bola amarela e estamos certos que o seu nome será lembrado por tudo o que de bom fez dentro e fora dos courts à semelhança, entre outros, de René Lacoste, Fred Perry e von Cramm, Margaret Court e Don Budge.

Tiago Ferraz
Jornalista de formação, apaixonado por literatura, viagens e desporto sem resistir ao jogo e universo dos courts. Iniciou a sua carreira profissional na agência Lusa com uma profícua passagem pela A BolaTV, tendo finalmente alcançado a cadeira que o realiza e entusiasma como redator no Bola Amarela desde abril de 2019. Os sonhos começam quando se agarram as oportunidades.