Bautista Agut despede-se de Madrid: «Este torneio é muito especial para mim. Foi uma bela despedida»
O tenista espanhol de 38 anos Roberto Bautista Agut (atual 93.º), que se vai retirar da modalidade no final da temporada, realizou esta quarta-feira o seu último encontro no Mutua Madrid Open, maior torneio do seu país e palco onde viveu alguns dos momentos mais especiais da carreira.
Ex-top 10 mundial, semifinalista de Grand-Slam e vencedor de 12 títulos individuais no circuito ATP, Bautista Agut cedeu em dois sets na 1.° ronda frente ao argentino Thiago Agustin Tirante naquela que foi a sua 14.° e derradeira participação na prova madrilena. Em conferência de imprensa, o jogador natural de Castellón revelou aos jornalistas o quão difícil foi tomar tal decisão e retratou ainda as emoções vividas no momento da despedida em pleno court Manolo Santana.
Vou dar um passo de cada vez. No ano passado, depois da lesão no US Open, fiquei seis meses sem somar qualquer ponto. Se eu quiser prolongar ao máximo a minha temporada, não tenho outra escolha a não ser jogar bem nos próximos torneios. Sei que jogarei em Roma agora, depois o Challenger de Valência e em seguida Roland Garros… e então veremos se jogo o quadro principal de Wimbledon ou a fase de qualificação. A partir daí, teremos que ver como a temporada se desenrola.
CERIMÓNIA ESPECIAL DE DESPEDIDA
São momentos em que não pensas enquanto és jogador. Hoje, no court, senti muitas emoções, não foi fácil jogar. Eu queria muito jogar em Madrid, jogar em casa… parece inacreditável, mas o nervosismo não desaparece nem aos 38 anos. Foi lindo, pude aproveitar com a minha família e os meus treinadores, foi uma bela despedida.
HISTORIAL EM MADRID
Foi este torneio que me catapultou para o topo, colocando-me entre os 15 melhores do ranking. Foi um ponto de virada na minha carreira, embora eu também tenha vivido aqui um dos momentos mais mágicos, que foi a final da Taça Davis em 2019. Muitas lembranças vêm à tona. Este court é muito especial para mim.
RAZÕES DA RETIRADA
Foi uma decisão difícil. A primeira pessoa com quem conversei foi minha esposa, que sempre esteve ao meu lado. Depois da lesão que me afastou dos courts por seis meses, em fevereiro eu simplesmente não conseguia encontrar o meu ritmo, não via saída. Agora, depois de Indian Wells, comecei a sentir me melhor, não estava a mancar tanto, mas esta lesão desgastou me imenso, consumiu muita da minha energia. Tentei voltar, mas não consegui. Venho a fazer isso há muitos anos, então, depois de Indian Wells e Miami, achei que era um bom momento para me despedir. Ainda sinto que estou a jogar em um bom nível, pronto para terminar esta temporada com boas partidas.
HÁ POSSIBILIDADE DE CONTINUAR APÓS 2026?
Tomei minha decisão, este será meu último ano, com certeza. Espero terminar o ano entre os 100 melhores e ter a oportunidade de jogar bem daqui até o final da temporada. O que eu mais gostaria é de me despedir em grande estilo e aproveitar bastante na quadra. Ainda tenho habilidade, consigo jogar boas partidas, mas é verdade que está ficando cada vez mais difícil. Ultimamente, tenho enfrentado adversários com metade da minha idade.
SURGIMENTOS DA NOVA GERAÇÃO DO TÉNIS ESPANHOL
Cada um tem a sua própria fase de desenvolvimento, a sua própria evolução. No meu caso, é difícil. É estranho começar aos 24 anos e depois treinar o número 9 do mundo. Eu realmente amo o ténis, sempre tentei melhorar, todas as manhãs, em cada treino. Conquistar tudo o que conquistei foi incrível, mas é claro que é muito melhor começar aos 20 ou 21 anos, assim você passa por todos esses momentos muito mais cedo, os que eu tive que vivenciar aos 24 ou 25. O ténis espanhol precisava de uma renovação, de ver novos rostos, jovens a jogar a grande nível.
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