ATP quer tornar os pares quase insignificantes e os principais especialistas estão revoltados
A Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) está a enfrentar uma forte contestação por parte dos principais especialistas de pares, depois de apresentar um conjunto de propostas que poderá alterar profundamente o futuro da modalidade a partir de 2028. Os jogadores alertam que as medidas colocam em risco a viabilidade de uma carreira profissional em pares e ameaçam toda a estrutura que sustenta esta vertente do ténis.
Entre as mudanças previstas está a redução para metade dos quadros de pares nos torneios Masters 1000, que passariam de 32 para 16 equipas. Nos torneios ATP 250, ATP 500 e Challenger, os quadros seriam reduzidos para apenas oito pares. Além disso, os jogadores com melhor ranking de singulares passariam a ter prioridade no acesso aos torneios Challenger, relegando os especialistas de pares para segundo plano.
O ATP Tour pretende ainda alterar a distribuição dos prémios monetários entre singulares e pares, passando da atual repartição de 80/20 para 90/10. Na prática, cada elemento da dupla vencedora receberia apenas 5% do ‘bolo’ total do torneio. Os atletas defendem que esta alteração tornará praticamente impossível viver dos pares para quem estiver fora do top 30 mundial.
Num comunicado conjunto, os jogadores acusam o ATP de falta de transparência e de não consultar aqueles cujas carreiras serão diretamente afetadas. Contestam igualmente a ideia de que os pares são financeiramente insustentáveis, argumentando que a modalidade tem sido pouco promovida e que as suas propostas para aumentar a visibilidade e o valor comercial foram ignoradas.
Os atletas recordam ainda que cerca de 70% dos praticantes de ténis jogam pares, contra pouco mais de 40% que praticam singulares, e sublinham que o crescimento da modalidade torna estas medidas difíceis de justificar. A ATP classificou 2025 como um ano histórico, com 5,55 milhões de espectadores nos torneios, uma audiência global superior a mil milhões de pessoas e mais de 100 milhões de praticantes em todo o mundo.
Entre os jogadores afetados está o português Francisco Cabral, que se solidarizou com este protesto e participou na corrente de publicações nas redes sociais que muitos jogadores ‘soltaram’ ao longo das últimas horas.
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