Aslan Karatsev em entrevista [parte II]: «Derrotar Djokovic no court dele tornou tudo mais especial»

Por Bola Amarela - Novembro 4, 2021
Foto: EPA

Na segunda parte da entrevista exclusiva do Bola Amarela a Aslan Karatsev, fazemos uma viagem pela grande época do tenista russo, que chegou ao Masters 1000 de Paris ainda com hipóteses matemáticas de se qualificar para as ATP Finals. Da caminhada de sonho no Australian Open, ao título em Moscovo, passando pela derrota mais dura, Karatsev abre o livro da temporada.

BOLA AMARELA – Temos de falar de alguns momentos específicos da época, claro. O Australian Open primeiro, claro! O que é que te passou pela cabeça na altura? A certo ponto, tudo te saía bem…

ASLAN KARATSEV – Tivemos uma boa preparação, a superfície era boa. Com as duas semanas antes da Austrália, a bola parecia que voava da raquete, estava tudo a correr bem. Fizemos uma boa pré-época, então foi tudo fruto do trabalho que fizemos.

BA – Deste a volta nos encontros com Grigor Dimitrov e Felix Auger-Aliassime. Vencer esse encontros foi ainda mais especial por encontrares maneira de triunfar?

AK – Sim! Estar a perder por dois sets a zero e recuperar é muito difícil. Essas vitórias fizeram-me mais forte, acreditar mais em mim e no meu jogo.

BA – Depois veio um rapaz chamado Novak… Foi simplesmente demasiado na altura? Gostavas de repetir o encontro?

AK – Sem dúvida que gostava de jogar contra Djokovic num Grand Slam outra vez. É muito diferente jogar contra ele num Grand Slam ou num torneio ATP. Naquele momento ele joguei de forma inacreditável. Eu não joguei mal, não consigo dizer que joguei mal. Fiz o meu melhor, mas ele estava simplesmente num nível completamente diferente.

BA – Segue-se o título no Dubai, um ATP 500, a derrotar Sinner, Rublev… Sentes que ainda surpreendeu muita gente?

AK – Soube-me muito bem! Não sei se surpreendi alguém ou não, mas vencer o título no Dubai foi muito bom. Foi um grande torneio e excelente para mim para o resto da época. Deu-me confiança, alguns pontos, subi no ranking. Tudo junto foi ótimo.

BA – Avançamos para Belgrado… e Novak de novo. Em 3h25, derrotaste-o no court dele. Foi um encontro de sonho?

AK – Foi um encontro muito equilibrado, muito duro. Coloquei a minha energia toda nesse encontro e no dia seguinte estava um bocadinho vazio para a final. Mas foi um dos encontros que mais adorei jogar. Adoro defrontar grandes jogadores, mas derrotá-lo no court dele tornou tudo ainda mais especial. Mostrei um grande nível nesse encontro, gosto muito de defrontar os melhores do mundo.

BA – E agora o título na Rússia. Teve um peso diferente ser campeão em Moscovo?

AK – Moscovo era um torneio a que ia muitas vezes assistir quando era miúdo com o meu pai. Ganhar este torneio é ainda mais especial. Fui ao qualifying cinco vezes, acho, mas conseguir voltar lá e ganhar o torneio faz-me sentir mesmo muito orgulhoso.

BA – Temos estado a falar só de coisas boas. Mas consegues destacar qual foi a derrota mais dura da temporada? Aquela que fez dormir mal…

AK – Diria que foi em Roland Garros contra o Phillip Kohlschreiber na segunda ronda.

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