Como é habitual sempre que chega a temporada de relva, é fundamental recorrer aos especialistas para explicar o que tem esta superfície que tanto resiste ao jogador médio. Neste caso, poucos conhecem melhor os seus segredos do que Andy Roddick.
Com três finais disputadas em The Championships, Wimbledon (2004, 2005 e 2009) e cinco títulos em relva (quatro em Queen’s e um em Eastbourne), não é preciso explicar por que razão Roddick foi um dos melhores jogadores desta superfície durante a sua carreira profissional.
Atualmente, vê-se o norte-americano em ambiente mais descontraído atrás do microfone, no seu podcast Served, onde ocasionalmente responde a perguntas dos fãs para esclarecer dúvidas sobre o ténis. Desta vez, todas as questões se centraram na relva: superfície, deslocamento, calçado e estilo de jogo. Um conjunto de dúvidas que “Air-Rod” respondeu, ajudando a esclarecer o tipo de ténis que se pode esperar durante estas semanas.
TÉCNICA NA RELVA
“Se passares a mão por um piso duro lento, como Indian Wells, sentes quase como se estivesses a tocar em lixa. A bola bate na superfície, abranda e ganha muito efeito. Em contrapartida, se passares a mão por um green de golfe e imaginares uma bola a atravessá-lo, a bola desliza. Por isso, uma bola bem batida atravessa o court mais rapidamente em relva. O ténis de primeiro golpe tem mais valor na relva do que em qualquer outra superfície; em vez de a bola saltar e subir, ela atravessa o court de forma mais direta. Por isso víamos jogadores como Lleyton Hewitt baterem um revés baixo e profundo. Mesmo quando a bola ficava curta, era difícil atacá-la porque vinha à altura dos tornozelos.”
TRANSIÇÃO DA TERRA PARA A RELVA
“O movimento, sem dúvida, é o mais importante. Na relva quase tens de sair de situações defensivas batendo ou cortando a bola. Na terra batida, pelo contrário, usas o deslize como uma ferramenta defensiva fundamental. Muitas vezes procuras altura no golpe seguinte para ganhar tempo, mas na relva não fazes isso. Mesmo que estejas a correr no limite e consigas bater bem na bola, o próprio piso ajuda. A forma de defender é completamente diferente e a maneira de te mover também. Na relva tens praticamente de correr através do golpe e continuar o movimento; na terra batida sincronizas o golpe enquanto deslizes para ele. São mecânicas totalmente diferentes.”