As dicas de Andy Roddick para perceber como se joga na relva

Por Rodrigo Caldeira - June 19, 2026
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Como é habitual sempre que chega a temporada de relva, é fundamental recorrer aos especialistas para explicar o que tem esta superfície que tanto resiste ao jogador médio. Neste caso, poucos conhecem melhor os seus segredos do que Andy Roddick.

Com três finais disputadas em The Championships, Wimbledon (2004, 2005 e 2009) e cinco títulos em relva (quatro em Queen’s e um em Eastbourne), não é preciso explicar por que razão Roddick foi um dos melhores jogadores desta superfície durante a sua carreira profissional.

Atualmente, vê-se o norte-americano em ambiente mais descontraído atrás do microfone, no seu podcast Served, onde ocasionalmente responde a perguntas dos fãs para esclarecer dúvidas sobre o ténis. Desta vez, todas as questões se centraram na relva: superfície, deslocamento, calçado e estilo de jogo. Um conjunto de dúvidas que “Air-Rod” respondeu, ajudando a esclarecer o tipo de ténis que se pode esperar durante estas semanas.

TÉCNICA NA RELVA 

“Se passares a mão por um piso duro lento, como Indian Wells, sentes quase como se estivesses a tocar em lixa. A bola bate na superfície, abranda e ganha muito efeito. Em contrapartida, se passares a mão por um green de golfe e imaginares uma bola a atravessá-lo, a bola desliza. Por isso, uma bola bem batida atravessa o court mais rapidamente em relva. O ténis de primeiro golpe tem mais valor na relva do que em qualquer outra superfície; em vez de a bola saltar e subir, ela atravessa o court de forma mais direta. Por isso víamos jogadores como Lleyton Hewitt baterem um revés baixo e profundo. Mesmo quando a bola ficava curta, era difícil atacá-la porque vinha à altura dos tornozelos.”

TRANSIÇÃO DA TERRA PARA A RELVA 

“O movimento, sem dúvida, é o mais importante. Na relva quase tens de sair de situações defensivas batendo ou cortando a bola. Na terra batida, pelo contrário, usas o deslize como uma ferramenta defensiva fundamental. Muitas vezes procuras altura no golpe seguinte para ganhar tempo, mas na relva não fazes isso. Mesmo que estejas a correr no limite e consigas bater bem na bola, o próprio piso ajuda. A forma de defender é completamente diferente e a maneira de te mover também. Na relva tens praticamente de correr através do golpe e continuar o movimento; na terra batida sincronizas o golpe enquanto deslizes para ele. São mecânicas totalmente diferentes.”

 CALÇADO ESPECÍFICO 

“Não se podem usar pitões (tacos), porque destruías a superfície e torná-la-ias impossível de jogar. Se fizeres uma marca profunda com um taco e a bola cair exatamente ali, o ressalto torna-se imprevisível. Simplesmente não é possível. As antigas chuteiras de futebol da Puma que eu tinha tinham pequenos pitões de borracha, mas não eram agressivos — no ténis em relva acontece algo semelhante. Existem pequenas saliências de borracha, mas não são pitões afiados; isso é o aceitável. Não se pode jogar ténis de alto nível em relva com sapatilhas de piso duro, porque estarias constantemente a escorregar. É preciso algum atrito. Os jogadores usam calçado específico para relva que ajuda a “agarrar” ligeiramente a superfície, sem a danificar. O que não podes fazer é usar pitões reais e arrancar pedaços do court.”

PORQUE OS JOGADORES ESCORREGAM

“Isso acontece especialmente no início dos torneios: quanto mais verde está a relva, mais escorregadelas vais ver. Além disso, existe uma estratégia específica de deslocamento, é difícil mudar de direção e recuperar o apoio rapidamente. Por isso, muitas vezes tens de fluir com o golpe e voltar a posicionar-te de forma mais suave. Noutras superfícies, tudo se baseia em arrancar e travar de forma muito agressiva […] O Queen’s provavelmente tem um dos melhores courts de relva do mundo; o que fazem lá é praticamente perfeito, mas as escorregadelas continuam a acontecer. Por isso jogadoras como Emma Raducanu movimentam-se tão bem na relva, os jogadores experientes entendem que nesta superfície muitas vezes tens de jogar contra o movimento do adversário. Mudar de direção é difícil, mas tudo faz parte do jogo. O movimento não é tão agressivo como na terra batida, mas tem muitos detalhes: tens de estar equilibrado, acelerar à máxima velocidade e voltar a estabilizar-te. Não podes simplesmente mudar de direção de forma explosiva repetidamente.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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