Agassi faz 50 anos: a história por trás da lenda que não gostava de ténis

Por Tiago Ferraz - Abril 29, 2020
André-Agassi

O antigo tenista norte-americano e antigo número um mundial André Agassi está de parabéns uma vez que completa, esta quarta-feira, 50 anos de idade. Com efeito, o Bola Amarela foi à procura da história daquele que é considerado por muitos como um dos maiores tenistas de todos os tempos.

André Agassi nasceu a 29 de abril de 1970 e tornou-se profissional com apenas 16 anos de idade, em 1986. Dono de um talento assinalável, Agassi cedo mostrou que não estava no circuito para brincar. O norte-americano precisou apenas de um ano de circuito para ter motivos para festejar: o seu primeiro título surgiu, em 1987, quando Agassi venceu o torneio de Itaparica, no Brasil.

A partir desse momento, a carreira do norte-americano começou a ganhar asas e, no ano seguinte, em 1988, André Agassi venceu seis títulos entres os quais se destacam os ATP de Memphis, Charleston, Forest Hills, Estugarda, Stratton Mountain e Livingston para colocar o número de triunfos em torneios ATP em sete com apenas dois anos como tenista profissional.

Seguiu-se um ano menos positivo para o norte-americano que “só” conquistou um título na temporada de 1989: o ATP de Orlando sendo que, em 1990, surgiu o primeiro título de categoria Masters 1000: em Miami, Agassi fez a festa ao derrotar o sueco Stefan Edberg, em quatro sets, pelos parciais de 6-1, 6-4, 0-6 e 6-2. A este título, Agassi ainda juntou mais três ao palmarés nesse ano: ATP de Washington, São Francisco e ainda o título da ATP Tour World Championship (o equivalente às atuais ATP Finals). No ano seguinte, mais um ano de menor fulgor: o norte-americano venceu apenas dois títulos: o ATP 500 de Washington e o ATP de Orlando. 1991 ficou ainda marcado pela final perdida em Roland Garros: Agassi perdeu a oportunidade de vencer o primeiro major da carreira ao ceder perante Jim Courier no encontro decisivo.

E quando é que André Agassi conseguiu, por fim, o primeiro título do Grand Slam? A (aguardada) festa chegou em julho de 1992, aos 23 anos, quando o norte-americano tocou o céu da catedral do ténis ao vencer o torneio de Wimbledon diante do sérvio Goran Ivanisevic pelos parciais de 6-7, 6-4, 6-4, 1-6 e 6-4. Este foi o primeiro de oito títulos do Grand Slam: o segundo triunfo foi em 1994 com a vitória no US Open sendo que o terceiro surgiu em 1995 quando Agassi venceu o primeiro Australian Open da carreira. Em 1999, André Agassi esteve bem e, apesar de ter perdido a final do torneio de Wimbledon, venceu Roland Garros (pela primeira e única vez) e o US Open, pela segunda vez na carreira, para somar 5 títulos do Grand Slam aos quais juntou ainda as conquistas do Australian Open, por mais três vezes, em 2000, 2001 e 2003.

2005 foi o ano do último título da carreira de André Agassi: o norte-americano conquistou o ATP 250 de Los Angeles e acabou derrotado na final do US Open pelo campeoníssimo suíço Roger Federer.

De salientar que André Agassi arrecadou mais de 31 milhões de dólares em prize-money ao longo da sua carreira sendo que o norte-americano conseguiu 870 vitórias contra apenas 274 derrotas. Ao longo do seu percurso venceu 60 títulos em 90 finais na variante singular.

Fora dos courts, André Agassi dava, igualmente, nas vistas uma vez que casou com a também antiga tenista e vencedora de 22 majors Steffi Graf a 22 de outubro de 2001, em Las Vegas.

Ainda assim, nem tudo foi um mar e rosas. O próprio lançou uma autobiografia denominada de Open onde toca em temas quentes da sua carreira como, por exemplo, a sua rivalidade com Pete Sampras, o consumo de drogas e ainda uma confissão: Agassi diz que não gostava de ténis quando estava no ativo e que só foi tenista profissional por obrigação do pai:

 “O meu pai dizia que se batesse 2550 bolas por dia, bateria 17.500 por semana e, no final do ano, teria batido um milhão. Os números não mentem, dizia ele. Uma criança que bata um milhão de bolas por semana será imbatível. Vais ser o número um do mundo, vais fazer imenso dinheiro e acabou a discussão”, lembra num excerto do Open, citado pelo Público.

André Agassi retirou-se dos courts após o US Open de 2006, mas deixou o seu nome para sempre ligado às grandes glórias do mundo da bola amarela.

Tiago Ferraz
Jornalista de formação, apaixonado por literatura, viagens e desporto sem resistir ao jogo e universo dos courts. Iniciou a sua carreira profissional na agência Lusa com uma profícua passagem pela A BolaTV, tendo finalmente alcançado a cadeira que o realiza e entusiasma como redator no Bola Amarela desde abril de 2019. Os sonhos começam quando se agarram as oportunidades.