Federer entra no Hall of Fame com discurso emocionante: «Este rapaz de Basileia agradece-vos esta incrível honra»

Por José Morgado - August 30, 2026
Federer

Roger Federer viveu este sábado uma das noites mais especiais da sua vida. O suíço foi oficialmente introduzido no International Tennis Hall of Fame, em Newport, numa cerimónia que ficou marcada por emoção, lágrimas, gargalhadas e memórias de uma carreira absolutamente extraordinária.

Aos 45 anos, Federer subiu ao palco para receber uma das maiores distinções que o ténis pode proporcionar. E, num discurso profundamente pessoal, preferiu falar menos de títulos, recordes ou números e mais daquilo que realmente esteve na origem de tudo: o amor pelo jogo. “É incrível vermo-nos num lugar como este, caminhar pelo Hall of Fame e mergulhar na história deste desporto. Isso significa tudo para mim. Ler as histórias dos meus maiores heróis e perceber, verdadeiramente pela primeira vez, que tenho aqui um lugar é uma das maiores honras da minha vida.”

Federer recordou os tempos em que era apenas um rapaz de Basileia apaixonado pelo ténis. Aos 13 anos, foi apanha-bolas no Swiss Indoors, uma experiência que lhe permitiu observar de perto os grandes jogadores e perceber a intensidade daquele mundo. “Nunca vou esquecer como o jogo parecia dali e como me sentia. Estava tão perto dos jogadores, entregava-lhes a bola e a toalha, via-os suar, lutar e enfrentar a adversidade. Na manhã seguinte, as minhas pernas estavam acabadas. Estar de pé o dia inteiro dá muito trabalho.”

O suíço fez ainda questão de recordar os pais, Lynette e Robert, fundamentais no início do seu percurso, e a forma como o ténis rapidamente se tornou o centro da sua vida. “O ténis tornou-se o tecido da minha vida. A minha mãe fez tudo acontecer. Obrigado, mãe. E obrigado aos meus dois pais por todo o tempo que passaram comigo no court.”

Mas o momento mais emotivo surgiu quando Federer falou da mulher, Mirka, sua companheira durante grande parte da extraordinária viagem profissional e pessoal. “A Mirka inspira-me todos os dias. É uma mãe maravilhosa para os nossos quatro filhos e faz o impossível acontecer nas nossas vidas. Ela e eu damos as mãos e atravessamos paredes.”

Federer explicou ainda que sempre tentou manter-se fiel a si próprio e transmitir aos adeptos a paixão que sentia quando entrava em court. “Tentei, acima de tudo, manter-me fiel a mim próprio. Tentei mostrar o meu amor pelo jogo, porque isso realmente importava para mim e queria que também importasse para vocês.”

Já retirado da competição, Federer garantiu que o ténis continuará eternamente ligado à sua vida. “O ténis estará sempre na interseção de tudo aquilo com que mais me importo. Este rapaz de Basileia agradece-vos esta incrível honra. E agradeço-vos a todos por partilharem a viagem que nos uniu.”

Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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