Roger Federer está prestes a entrar no Internacional Hall of Fame do Ténis e, antes da cerimónia, abriu o livro sobre a carreira, a reforma e a relação que continua a manter com a modalidade. Aos 45 anos, o suíço garante que não pensa num regresso à competição, mas continua a desfrutar intensamente de cada momento em court.
“Isto é importante. Levei muitas horas a jogar ténis e muitos números para chegar até aqui, mas esta distinção está muito acima porque consegui muito. É como o último grande momento, por isso estou muito, muito emocionado.”
Federer recordou também a pressão que sentiu durante os anos em que esteve no topo do ténis mundial, admitindo que acabou por aceitá-la como parte integrante da sua identidade. “Quando cheguei a número um senti que a forma como as pessoas me tratavam e olhavam para mim tinha mudado. Percebi que a minha vida ia mudar, nem sempre para melhor, mas sobretudo para melhor.”
Apesar de continuar a jogar regularmente, o antigo número um mundial afasta completamente a possibilidade de voltar ao circuito profissional. Depois de cinco operações ao joelho, considera que o capítulo competitivo está definitivamente encerrado. “Joguei até ter praticamente 40 anos. Espremi esse limão e sabia que, no final, tinha chegado o momento. Não sou o tipo de pessoa que se reforma e regressa. Explorei os limites durante toda a minha carreira.”
A paixão pelo ténis, contudo, permanece intacta. Federer revelou que continua a divertir-se particularmente quando pode simplesmente bater bolas e explorar a criatividade com a raquete. “Adoro jogar ainda. Adoro a sensação da bola e das cordas. Adoro ver as formas e tudo aquilo que sou capaz de produzir e criar com a minha raquete.”
O suíço falou ainda sobre o seu legado e sobre a nova geração, destacando Jannik Sinner e Carlos Alcaraz. “Quando vejo o que fazem Sinner e Alcaraz atualmente penso: o quê? Eu costumava estar ali e fazer algo parecido nestes courts, com essa pressão.”
Quanto ao futuro, Federer admite a possibilidade de assumir um papel de capitão na Laver Cup ou trabalhar como mentor de jovens jogadores, embora sem pressa para assumir novos compromissos. “Gostaria muito de continuar a apoiar os jovens e, no futuro, ser mentor. Estou sempre aberto a isso. Gostaria de devolver alguma coisa ao desporto.”