Draper perde novamente em Cincinnati e afunda-se ainda mais: «Tenho de aceitar a realidade»

Por José Morgado - August 13, 2026
draper

Jack Draper continua sem encontrar a saída para o pesadelo físico e emocional que atravessa há mais de um ano. O britânico, antigo número quatro mundial, chegou a Cincinnati disposto a recomeçar, mas acabou eliminado na primeira ronda por Martin Landaluce, por 6-3 e 7-5, depois de desperdiçar uma vantagem de 5-2, com duplo break, no segundo set.

A derrota ganha contornos ainda mais dramáticos depois das palavras que Draper deixou antes do torneio. Em entrevista ao The Guardian, o britânico abriu o livro sobre uma fase que, nas suas próprias palavras, o obrigou a “começar de novo”. “Isso tirou-me muito. Mas, ao mesmo tempo, estou numa posição em que tenho de começar de novo. Essa realidade, por vezes, é difícil.”

Draper confessou que as lágrimas na derrota diante de Atmane, em Montreal, foram o resultado de 15 meses de dores, retrocessos e incerteza. “Não reconhecia o jogador que era em campo devido às minhas lesões e, provavelmente, à forma como me tenho sentido durante muito tempo.”

O britânico revelou ainda a dimensão do sofrimento físico. “Tinha uma tendinite muito forte no joelho e também me doía muito o braço. Tinha imensas dores.”

E admitiu que já nem sequer consegue encarar o ténis da mesma forma. “O meu foco afastou-se do rendimento.”

Para tentar proteger o corpo, Draper mudou as cordas e passou a utilizar uma raquete muito mais flexível. “Sou um vencedor. Estou ali fora e quero competir. Mas tenho de aceitar a realidade: neste momento, tenho de encontrar uma forma de competir em circunstâncias muito desconfortáveis.”

O objetivo é sobreviver até recuperar completamente.

“Se conseguir chegar ao final do ano a sentir-me realmente bem outra vez, com o corpo e a mente em grande estado, isso só me vai ajudar a ultrapassar completamente esta lesão.”

Em Cincinnati, porém, a realidade voltou a ser cruel. Draper teve o encontro nas mãos, liderou por 5-2 com dois breaks de vantagem no segundo set, mas deixou Landaluce escapar. Mais uma derrota. Mais um golpe. “Quando chegas ao fundo, podes voltar a subir.”

Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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