Nadal: «Ainda me custa ver o passing shot contra Djokovic na final do Open da Austrália»

Por Rodrigo Caldeira - June 11, 2026
Rafael Nadal
Divulgação/Copa Davis

Durante mais de duas décadas, Rafael Nadal preferiu que o seu ténis falasse por ele, mantendo a vida privada longe dos holofotes. No entanto, a estreia da docussérie Rafa, produzida pela Netflix, representou uma exceção. Numa conversa extensa no Doc Talk Podcast, conduzido pelo realizador vencedor de um Óscar John Ridley e pelo editor de documentários Matt Carey, o espanhol deu uma das entrevistas mais pessoais da sua carreira.

O 22 vezes campeão do Grand Slam fala sem rodeios sobre o fim da sua carreira desportiva, as lesões que marcaram o seu percurso, a sua relação com Roger Federer e Novak Djokovic, e a forma como entende o sucesso.

AS PESSOAS POR TRÁS DO DOCUMENTÁRIO

“Antes de mais, foi pelas pessoas que estavam por detrás do documentário. Zach pareceu-me a pessoa certa para o fazer e tenho um enorme respeito por David e por tudo o que a Skydance fez. A perspetiva deles mudou um pouco a forma como vi as coisas. Além disso, percebi que era agora ou nunca. Pode-se sempre fazer outro documentário a recordar a minha carreira, mas mostrar a minha vida quotidiana era uma oportunidade única.”

“Cometi erros, como toda a gente, mas nunca renunciei a ter uma vida normal, a voltar a casa, a manter os meus amigos de sempre e a ter a família por perto. O ego é um dos maiores defeitos do ser humano e no desporto causa muitos problemas. Sempre entendi que a vida real era muito mais importante do que a vida desportiva.”

MAIS COMPETIDOR QUE VENCEDOR 

“Fui um vencedor, claro, porque não se conquista o que conquistei sem o ser. Mas, mais do que saber ganhar, o que realmente sabia fazer era competir. Encontrava sempre forma de me adaptar e continuar competitivo, mesmo com problemas físicos. Por isso digo que era mais um competidor do que um vencedor. Perder doía-me, mas se tivesse competido bem aceitava. O pior era não me sentir competitivo.”

“Era feliz a fazer o que fazia. Adorava jogar ténis. O meu corpo dizia basta, mas a minha mente queria continuar. Queria perceber se o meu corpo ainda respondia. As pessoas perguntavam: ‘Porque é que não se retira?’. Dei-me tempo suficiente para perceber se podia voltar a competir com garantias. Quando vi que não era possível, entendi que tinha chegado o momento.”

RIVALIDADE COM FEDERER E DJOKOVIC

“É passado, mas um passado positivo. Tive uma carreira muito melhor do que alguma vez poderia ter sonhado. Os períodos de lesões foram os piores. Esse ‘passing shot’ do Djokovic na final do Open da Austrália, por exemplo, já o vi outra vez e penso: ‘Custa-me ver isso’. Era um ponto muito fácil e praticamente significava ganhar o torneio. Essa fase da minha vida está encerrada, e está bem encerrada. Tenho memórias maravilhosas, mas já não penso como tenista.”

“Agora que terminei a carreira, quando vejo o Federer ou o Djokovic fico contente por os encontrar. Falo regularmente ao telefone com o Roger. Quando jogávamos havia sempre alguma reserva entre rivais, mas agora tudo é muito mais natural. Vejo alguns jogos e momentos dos torneios, mas raramente vejo partidas completas, a não ser que me interessem muito. Se jogam o Carlos Alcaraz e o Jannik Sinner, aí gosto de ver. Também sigo a evolução do Rafa Jódar, que progrediu imenso no último ano.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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