Svitolina critica a WTA pela falta de apoio à Ucrânia: «Não é nenhuma novidade, tem sido assim há quatro anos»
Elina Svitolina, já na terceira ronda de Roland Garros 2026. A ucraniana venceu Kaitlin Quevedo esta quarta-feira e já está entre as 32 melhores do quadro, embora se espere que ainda continue a avançar muito mais. A ucraniana vem de conquistar Roma, está a realizar uma temporada espetacular, dentro do top 10, com todas as peças no lugar e contas por ajustar em torneios do Grand Slam. Já com os pés na terceira ronda do quadro feminino, a jogadora de Odessa falou com a imprensa sobre o seu estado de espírito, sobre o lado bom e o lado mau, incluindo uma crítica ao circuito por não ter apoiado como devia todas as jogadoras do seu país que sofreram com uma guerra que continua bem viva.
VITÓRIA FRENTE A QUEVEDO
“Creio que fiz um bom jogo, embora a Kaitlin tenha reagido e, no segundo set, tenha jogado muito melhor do que no primeiro. Foi uma boa exibição da minha parte e estou muito satisfeita com a forma como lidei com esse segundo set, porque ela realmente obrigou-me a dar muito de mim nessa fase.”
GRANDE RENDIMENTO EM 2026
“Limito-me a tentar melhorar em cada treino, em cada jogo e em cada torneio que disputo. Acho que encontro motivação em diferentes coisas e em diferentes pessoas, incluindo o povo da Ucrânia. E a guerra na Ucrânia deu-me realmente uma perspetiva diferente da vida, tal como a minha família e a minha filha. Agora uso o meu tempo de forma mais inteligente. Assim que entro em campo, dou 100%. Se mental ou fisicamente não estiver preparada para estar lá a 100%, então não o faço. Quando volto para casa, passo tempo de qualidade com a minha família, estou presente para a minha filha e depois dou 100% em tudo o que faço, sem desperdiçar demasiado tempo com coisas externas ou distrações que não me fazem feliz.”
TRABALHO COM SLUITER
“Comecei a trabalhar com Raemon Sluiter no início do meu regresso e ele teve um enorme impacto no meu jogo. Estou realmente grata por todo o trabalho que fez comigo e por me acompanhar neste caminho difícil de voltar à competição. Nem toda a gente quer embarcar numa aventura dessas quando não sabe como tudo vai correr e praticamente começa do zero, apesar de eu já ter tido uma grande carreira antes da maternidade. Mesmo assim, nunca sabes como o teu corpo vai reagir nem até que ponto conseguirás manter um nível físico consistente, porque o ténis exige muita regularidade. Trabalhámos muito intensamente durante três ou quatro meses antes de voltar aos torneios. Claro que os primeiros quatro ou cinco torneios foram muito complicados, não conseguia encontrar o meu jogo e perdi dois torneios seguidos apesar de ter tido pontos de encontro. Não foi fácil, mas estou muito feliz. Ele é uma grande pessoa e também foi um grande jogador no passado. Acho que fez um excelente trabalho com muitos jogadores.”
CRITICA AO WTA
“Não é novidade nenhuma, tem sido assim há quatro anos, por isso tento não pensar demasiado nisso. É muito triste para nós, porque continuamos a viver situações como a da Marta. É muito duro acordar e receber notícias de que a tua família esteve em enorme perigo durante a noite e sentires-te impotente. Vivemos isto há anos e, para mim, voltar a falar sobre o assunto… sinto que já o analisámos muitas vezes no passado. Já conhecemos as reações, ou melhor, a ausência total de reação. Para mim, o importante é perceber como posso ser útil ao meu país, como posso ajudar a próxima geração, motivando-a, aproximando-a do desporto e ajudando-a nesse caminho, porque é a única forma que vejo de fazer as coisas avançarem. Não podemos controlar tudo nem toda a gente. Por isso, pessoalmente, quero concentrar-me naquilo que posso controlar: como posso ser útil ao meu país.”
CALOR EM PARIS
“No ténis estás habituada a adaptar-te, cada dia é uma história diferente. Mesmo jogando no mesmo torneio, podes jogar de manhã ou à noite e as condições serão completamente distintas. Não podes controlar o clima, por isso, assim que acordo, vejo sempre a previsão do tempo. Até consulto os dias seguintes para perceber como devo ajustar a tensão das cordas ou a minha preparação. Se estiver calor, começo a hidratar-me desde o dia anterior e a alimentar-me de forma adequada para esse dia em particular. Para mim, são todas essas pequenas coisas que podem afetar-te e que, no entanto, consegues controlar. O clima é sempre complicado para nós. Quando está tanto calor, sentes que estás a tentar sobreviver, não apenas jogar contra a tua adversária, mas também contra as condições. Infelizmente, o ténis é assim, embora ache que parte do encanto da modalidade também esteja aí.”
RENDER MELHOR NO REGRESSO
“Foi importante ouvir o meu corpo e perceber realmente como reage a cargas de esforço elevadas. Depois da gravidez, o meu corpo é muito diferente daquilo que era antes. Talvez aos 25 anos conseguisse jogar semana após semana de forma mais fácil e consistente. Agora isso consome-me muito mais energia e também tenho de ter em conta que o meu corpo passou por uma gravidez. Às vezes preciso de parar e dar a mim própria não apenas um dia de descanso, mas talvez dois ou três, para recuperar verdadeiramente a energia e ganhar uma nova perspetiva para treinar ou competir. Também preciso de mais tempo para me adaptar às condições ou simplesmente para descansar. Às vezes os músculos não reagem como gostarias e precisas de te ouvir a ti própria, descansar e relaxar para conseguires vencer a longo prazo. Acho que se trata mais de olhar para o panorama geral e dar os 100% no momento certo.”
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