Sinner admite boicotar Slams: «Não nos sentimos respeitados»

Por José Morgado - May 7, 2026
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O clima de tensão entre os jogadores e os organizadores dos Grand Slams voltou a subir de tom depois das declarações de Jannik Sinner no ATP Masters 1000 de Roma. O número um mundial mostrou-se profundamente descontente com a resposta dada pelos torneios às exigências financeiras apresentadas pelos melhores tenistas do circuito e deixou em aberto a possibilidade de um boicote futuro.

O italiano revelou que os principais jogadores dos circuitos ATP e WTA enviaram uma carta formal aos quatro Grand Slams há mais de um ano, exigindo uma revisão mais justa da distribuição do prize money. No entanto, segundo Sinner, a falta de resposta concreta aumentou o sentimento de frustração dentro do balneário. “Estamos a falar de dinheiro, mas acima de tudo estamos a falar de respeito. Não nos sentimos respeitados e os jogadores estão dececionados com aquilo que Roland Garros fez”, afirmou o campeão italiano, numa das declarações mais fortes feitas até agora sobre o tema.

Sinner fez questão de sublinhar que o problema não afeta apenas os jogadores do topo do ranking, mas todo o circuito profissional. O transalpino considera que os tenistas geram uma parte essencial do espetáculo e merecem maior reconhecimento financeiro por parte dos torneios mais importantes do calendário. “Damos muito mais do que recebemos. Não é apenas para os melhores jogadores, é uma questão que envolve todos os atletas do circuito masculino e feminino”, explicou.

A ameaça de boicote, que já tinha sido sugerida por vários nomes importantes nas últimas semanas, ganhou assim ainda mais força. Sinner admitiu compreender totalmente aqueles que defendem medidas radicais caso os Grand Slams continuem sem responder às reivindicações dos atletas. “Entendo os jogadores que falam em boicote, porque é algo de que temos de começar a falar seriamente”, confessou.

Apesar de não confirmar uma eventual ausência em torneios do Grand Slam, o italiano deixou claro que o descontentamento é generalizado e que a união entre os jogadores nunca foi tão forte. “É a primeira vez que sinto todos os jogadores no mesmo ponto, com a mesma visão. Sem os jogadores, não há torneios”, atirou.

As próximas semanas poderão ser decisivas para o futuro desta polémica, sobretudo quando forem conhecidos os valores do prize money de Wimbledon e do US Open. Caso os prémios monetários continuem abaixo das expectativas dos atletas, o cenário de um protesto coletivo poderá deixar de ser apenas uma ameaça.

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Apaixonei-me pelo ténis na épica final de Roland Garros 2001 entre Jennifer Capriati e a Kim Clijsters e nunca mais larguei uma modalidade que sempre me pareceu muito especial. O amor pelo jornalismo e pelo ténis foram crescendo lado a lado. Entrei para o Bola Amarela em 2008, ainda antes de ir para a faculdade, e o site nunca mais saiu da minha vida. Trabalhei no Record e desde 2018 pode também ouvir-me a comentar tudo sobre a bolinha amarela na Sport TV. Já tive a honra de fazer a cobertura 'in loco' de três dos quatro Grand Slams (só me falta a Austrália!), do ATP Masters 1000 de Madrid, das Davis Cup Finals, muitas eliminatórias portuguesas na competição e, claro, de 16 (!) edições do Estoril Open. Estou a ficar velho... Email: jose_guerra_morgado@hotmail.com
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