Gastão Elias e Tiago Pereira seguem para os ‘quartos’ em Vila Real de Santo António

Por Pedro Gonçalo Pinto - Fevereiro 20, 2026
Nuno Martins

Gastão Elias e Tiago Pereira justificaram o estatuto de favoritos no 8.º Open Internacional de Ténis de Vila Real de Santo António e voltaram a não ceder qualquer set rumo aos quartos-de-final do torneio da categoria M25, dotado com um ‘prize-money’ total de 30 mil dólares (25 mil euros) e pontuável para o ranking mundial.

Elias (387.º no ranking mundial) ultrapassou o amigo Tiago Cação (884.º), por 6-4 e 6-4, mas teve de aplicar-se na parte final de cada set, já que o adversário lutou até ao derradeiro ponto. “No segundo set, ajudei a que isso acontecesse, pois estava bastante tranquilo até ao 4-1, tive uns pontos para fazer outro break e deixar o jogo acabado, mas infelizmente compliquei ali um bocadinho, mas consegui dois breaks para acabar, tanto o primeiro como o segundo set”, disse Elias.

Num encontro nem sempre fácil de encarar, frente a um amigo, e parceiro de treino, o mais cotado dos dois tenistas lusos teve igualmente de lutar com as condições. “O essencial aqui é mais o lidar com as circunstâncias, com o vento, com estas bolas que, para mim, são difíceis de controlar, o jogo fica todo muito frágil e isso faz com que haja, para além da táctica que tenho pensada para o jogo, ainda esse factor extra de ter que adaptar-me às condições. Tive que jogar com mais margem, não consegui abrir tanto os ângulos e arriscar como queria, houve bolas em que devia atacar, mas tive de jogar mais contido, o que fazia com que o ponto voltasse ao início. E do outro lado um Tiago bastante sólido, do princípio ao fim, a devolver muitas bolas, a cometer poucos erros e esteve bem”, elogiou Elias.

Nos quartos-de-final, o ex-57.º do ranking mundial vai enfrentar o ‘desconhecido’ britânico Lui Maxted (454.º). “A este nível, a maior parte das vezes sou eu o favorito – a não ser que defronte um jogador com melhor ranking que o meu, o que, nestes torneios, acontece menos vezes – basta concentrar-me nas minhas coisas e conseguir jogar a um bom nível. Mas são jogadores que eu não conheço, têm esse factor surpresa, o que pode complicar”, resumiu.

A seguir, foi a vez de Tiago Pereira (268.º) confirmar os progressos dos últimos anos e ‘vingar-se’ do ucraniano Georgii Kravchenko (549.º), com uma vitória, por 6-3, 7-5. “Já o conhecia, tinha o defrontado nestes dois torneios há três anos, e ele ganhou-me das duas vezes. Sabia que ia ser muito duro, mas eu soube ser duro o suficiente para que o encontro caísse para o meu lado. Ainda tive um break acima no segundo set, mas ele é um excelente jogador e é muito difícil passar por ele com facilidade. Ele fez o que faz melhor, voltou a entrar no jogo, foi muito duro até ao fim, mas lá consegui fazer o break a 5-5 e, com bolas novas, aguentei o jogo de serviço”, revelou.

Comparativamente com esses anteriores duelos com Kravchenko, o tenista algarvio salientou a maior maturidade com que, hoje em dia, entra no court. “Estou mais maduro, tenho mais força do que tinha antes, sou um jogador mais desenvolvido, com o tempo fui crescendo como pessoa e isso foi o que me mais ajudou a ganhar este encontro”, admitiu Pereira, que terá como próximo adversário o cabeça de série n.º5, o belga Gauthier Onclin (317.º).

Tiago Pereira é também o último representante português na prova de pares, onde faz dupla com Mansouri Skander, ex-54.º no ranking mundial da variante. O par luso-tunisino disputa esta sexta-feira as meias-finais, após derrotarem Tiago Cação e o japonês Naoya Honda, por 6-4, 6-3.

A fechar a jornada, Francisco Rocha (777.º) foi travado pelo mais cotado tenista do torneio, o britânico Ryan Peniston (234.º), por 6-2, 6-4, mas deixou excelente réplica ao cabeça de série n.º1, em especial no segundo set. “Fiquei contente com a exibição, não com o resultado, mas tenho que tirar os positivos. Não entrei bem, mas acabei por encontrar o meu nível e perdi por detalhes, mesmo neste último jogo senti que tinha de fazer o break porque ele estava tenso”, afirmou Rocha.

O encontro repleto de pontos disputados a um ritmo elevado poderia ter-se prolongado, já que o tenista português teve a possibilidade de fazer o 5-5. “Faltou jogar esse break-point um bocadinho melhor, pensei que precisava de jogar com coragem (e fui o que fiz, mas a bola foi para fora), mas falta ser um pouco mais sólido. Ele falha pouquíssimo e a diferença foi a consistência”, explicou o jogador que veio do qualifying.

Rocha despede-se de Vila Real de Santo António com três vitórias nos quatro encontros disputados e com boas indicações sobre o que tem de melhorar. “O que levo destas semanas é a aprendizagem; ganhei jogos no ‘quali’ e na primeira ronda, mas tiro mais destes jogos em que perco: o que é que tenho de fazer melhor para ganhar a este tipo de jogadores”, concluiu Rocha.

Leia também:

 

O ténis entrou na minha vida no momento em que comecei a jogar aos 7 anos. E a ligação com o jornalismo chegou no momento em que, ainda no primeiro ano de faculdade, me juntei ao Bola Amarela. O caminho seguiu com quase nove anos no Jornal Record, com o qual continuo a colaborar mesmo depois de sair no início de 2022, num percurso que teve um Mundial de futebol e vários Europeus. Um ano antes, deu-se o regresso ao Bola Amarela, sendo que sou comentador - de ténis, claro está - na Sport TV desde 2016. Jornalismo e ténis. Sempre juntos. Email: pedropinto@bolamarela.pt