Zverev revoltado: «Não se pode pedir assistência médica por cãibras»

Por Nuno Chaves - Janeiro 30, 2026
Foto: EPA

Se no caso de Carlos Alcaraz o sentimento é de euforia, no caso de Alexander Zverev é o oposto, depois de ter ficado tão perto de se qualificar para a final do Australian Open.

O alemão chegou mesmo a servir para fechar com 5-4 no quinto set mas não aguentou o momento e acabou por perder após 5h30 minutos.

Certo é que Sascha não ficou indiferente a um dos momentos do encontro: as cãibras de Alcaraz. O número três do mundo mostrou-se revoltado por o espanhol ter tido a possibilidade de ser assistido quando, teoricamente, não deve acontecer.

ENCONTRO ÉPICO

Uma luta incrível, uma batalha. Um final infeliz para mim, mas, sinceramente, já não me restavam forças. Mesmo com 5-4, normalmente consigo confiar um pouco mais no meu serviço. As minhas pernas deixaram de empurrar, é assim que as coisas são. Seguimos em frente.

CÃIBRAS E MEDICAL TIMEOUT DE ALCARAZ

Ele tinha cãibras e normalmente não se pode pedir um tempo médico por cãibras. Não é uma decisão minha. Não gostei, mas não é a minha decisão. Só disse que era uma porcaria. Mas, sinceramente, não quero falar sobre isso agora, porque acho que esta foi uma das melhores batalhas de sempre na Austrália. Isso não merece ser o tema principal neste momento.

ARREPENDE-SE DE ALGO?

Sim, o segundo set. Senti que o devia ter ganho, especialmente quando servi para fechar o set. Não fiz um bom jogo de serviço. Curiosamente, não tenho muitos arrependimentos no quinto set, porque, para ser honesto, estava a aguentar como podia. Estava exausto. Mas no segundo set, penso que, se estivesse a ganhar, com um set para cada lado e ele começasse a ter cãibras no terceiro set, isso provavelmente teria feito a diferença.

IMPACTO MENTAL EM COMPARAÇÃO COM A DERROTA COM SINNER NO ANO PASSADO

Para ser sincero, acho que estou demasiado cansado para sentir emoções neste momento, por isso talvez daqui a dois dias sinta mais. Agora estou completamente exausto. Acho que ambos chegámos ao limite, por isso, de certa forma, também estou orgulhoso de mim próprio por ter aguentado e recuperado de dois sets abaixo. Claro que é desapontante, mas é o início do ano. Se continuar a jogar assim e a treinar como tenho feito, acho que vai ser um bom ano para mim.

LIDAR COM AS CÃIBRAS DE ALCARAZ

Não fiz um bom trabalho no terceiro e quarto sets. Devia tê-los ganho com mais facilidade, de certa forma, mas ele estava a fazer muitos winners logo na primeira pancada do ponto, por isso não conseguia entrar nas trocas de bola. Provavelmente devia ter sido um pouco mais agressivo. De qualquer forma, o que mais lamento é provavelmente não ter ganho o segundo set, porque acho que isso teria mudado as coisas. Mas, graças a isso, tivemos uma grande batalha.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.