Aliassime e a desistência frente a Borges: «Isto nunca me tinha acontecido»

Por Nuno Chaves - Janeiro 19, 2026

Nuno Borges qualificou-se para a segunda ronda do Australian Open depois de beneficiar da desistência de Felix Auger-Aliassime, numa altura onde o maiato liderava por dois sets a um.

O canadiano optou por abandonar o encontro depois de apresentar algumas cãibras e, no final, aos jornalistas, mostrou-se preocupado com a situação e revelou que nunca se tinha sentido assim.

MOTIVO DA DESISTÊNCIA

Estou bem, mas comecei a ter cãibras no início do terceiro set. Tornou-se muito difícil ser competitivo a este nível. Neste momento não tenho todas as respostas. Tento ser muito profissional em tudo o que faço e preparar-me bem. Adoro este desporto e adoro jogá-lo, por isso tento fazer tudo o que está ao meu alcance para estar pronto. Obviamente custa ainda mais, porque se eu tivesse consciência de mim próprio e achasse que não estava realmente preparado ou que não estava a fazer tudo o possível, então teria de ser honesto comigo mesmo. Mas, mesmo sendo sincero comigo próprio, não consigo encontrar totalmente as razões pelas quais isto está a acontecer. Nunca me tinha acontecido antes, por isso vou ter de perceber o que se passa.

SURPREENDIDO COM PROBLEMAS

Nunca me tinha acontecido isto, especialmente tão cedo no torneio. Se tivesse tido problemas com o Jannik no US Open, já estaríamos nas meias-finais, no terceiro set, mas sim, não me lembro de alguma vez ter tido cãibras desta forma tão cedo num torneio, tão cedo num jogo. Agora já não me recordo muito bem se foi no final do segundo set ou no início do terceiro, mas foi por aí. Obviamente, não quero entrar em pânico. Pensa-se que talvez tenha sido apenas um mau movimento ou um salto que não correu bem, mas depois, ao começar a mover-me de um lado para o outro, tendo de acelerar e cada vez que vinha uma cãibra, já se sabe o que acontece.

OPTOU POR DESISTIR

Não é a minha primeira vez. Simplesmente sabia que não estava no bom caminho. Não gosto de estar em campo assim. Quero ganhar, quero competir com o meu adversário. Não quero ficar ali parado, como um saco de boxe. Não faz sentido, e é preciso seguir em frente. Fomos muito cuidadosos com a nossa preparação e com o tempo passado em campo para nos prepararmos para jogos difíceis. Passava de três a quatro horas em campo, alguns dias a baixar um pouco o ritmo para não me desgastar demasiado. Como equipa, fomos o mais rigorosos possível. Não é momento de apontar dedos a ninguém, é momento de nos unirmos todos e encontrar soluções.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.