Zheng vive segunda vida no ténis: «Achava que ganhar era como beber água»
Qinwen Zheng está a ter uma segunda metade de temporada de luxo. A chinesa iniciou o US Open fora do top 100 mas, depois de ter ultrapassado o qualifying, chegou aos quartos de final e, agora, a jogar em casa, já está nas meias-finais após eliminar Elina Svitolina.
Este resultado já deixa a tenista de 24 anos de volta ao top 40 mundial e, aos jornalistas, explicou o que mudou para ganhar uma segunda vida na modalidade.
TRIUNFO FRENTE A SVITOLINA
Esta foi uma vitória realmente muito boa para mim. Acho que a Svitolina também jogou o seu melhor ténis, por isso estou contente por ter conseguido muitos winners ao longo do encontro e, no final, por ter sido corajosa nos momentos importantes. Terminei o encontro com alguns winners realmente muito bons.
NÃO ESQUECE AS DIFICULDADES DOS ÚLTIMOS MESES
Aquilo por que passei durante a minha última pré-época é algo que nunca vou esquecer. Enfrentei muitas dificuldades físicas, não só devido ao tempo e aos treinos, mas também a nível mental. Lembro-me de não ter conseguido jogar muitos torneios e de ter tido de aceitar essa realidade. Precisava, por isso, daquele período de trabalho e de aceitar que o meu treinador fosse exigente comigo em campo. Lembro-me de o Pere me ter dito: «Neste momento, és a número 140 do ranking. Antes, estavas por volta do 65.º lugar. Tens de me ouvir mais, porque já não és aquela jogadora que estava no top 10». Por dentro, estava muito zangada, mas tive de me acalmar e aceitar que aquela era a realidade. Parece que todo o esforço está a dar frutos.
SEGUNDA VIDA NO TÉNIS
Não esperava que tudo isto acontecesse tão depressa, porque estava muito concentrada no presente. Naquela altura, estava demasiado em baixo para conseguir pensar muito no futuro. Passei por muitas fases diferentes, com bons e maus momentos, desde os meus tempos de júnior. Não esperava que esta última fase complicada durasse tanto tempo e, por isso, agora dou muito mais valor às oportunidades. Antes, pensava que ganhar um encontro era como beber água, algo perfeitamente normal. Agora, sinto-me mais grata por cada vitória, porque compreendo todo o esforço que está por detrás dela. Aprendi a desfrutar tanto das vitórias como do trabalho que faço em campo.
O QUE MAIS APRENDEU
A minha maior aprendizagem foi perceber que os momentos difíceis não são necessariamente maus. Ser positiva todos os dias é realmente difícil. Quando estou em baixo, encontro a energia necessária para dar um passo em frente. Reconheci as minhas limitações e as fragilidades da minha personalidade, e os momentos difíceis ajudaram-me a melhorar. Quando estamos por cima, somos felizes, mas isso não nos ajuda muito a refletir. É precisamente quando estamos em baixo que temos de enfrentar os desafios. Isso permite-nos pensar, crescer e aprender, porque acabamos sempre por encontrar uma forma de ultrapassar esses momentos.
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