Zheng relembra o momento em que tudo mudou na época: «Não podia continuar assim»

Por Nuno Chaves - September 8, 2026

Qinwen Zheng está feita uma verdadeira especialista de recuperações épicas e depois de ter virado um 0-5 frente a Madison Keys no derradeiro set, fez agora o mesmo a Iga Swiatek mas no primeiro parcial.

A chinesa, que veio da fase de qualificação, avança, por isso, para os quartos de final do US Open e vai enfrentar Elena Rybakina com a máxima confiança, isto depois de ter vivido tempos complicados fruto de uma lesão que a atirou para fora do top 100 mundial – ainda que já esteja às portas das 50 melhores.

NOVA RECUPERAÇÃO DE 0-5 ABAIXO

Comecei o encontro muito devagar. Por isso, ela conseguiu colocar-se a ganhar por 5-0. Depois comecei a jogar com mais liberdade, porque precisava de encontrar o meu ritmo, pelo menos para o segundo set. De alguma forma, senti-me muito confortável em campo e, a certa altura, perdi a noção do resultado porque estava muito concentrada em jogar cada ponto. Acho que essa foi a chave para a reviravolta. Não estava à espera que isso acontecesse hoje, mas, de alguma forma, voltou a acontecer. Com 4-5, fui buscar a toalha porque pensava que estávamos a 3-5 e que tinha de jogar mais um jogo. Quando vi o marcador, pensei: ‘Ah, 4-5, tenho de me ir sentar’. Estava tão concentrada em cada ponto que nem sequer conseguia lembrar-me do resultado. Só pensava: esta bola aqui, aquela ali, próximo ponto, e continuar a repetir.

TORONTO: MOMENTO-CHAVE PARA VOLTAR A REENCONTRAR-SE

Depois de perder aquele encontro da fase de qualificação em Toronto, o meu treinador sentou-se comigo e tivemos uma longa conversa. Disse-me: ‘Não podes continuar a jogar assim. Precisas de fazer um bloco de treino e voltar a encontrar o teu ténis’. Demorei cinco segundos a pensar e disse: ‘Está bem, vamos fazê-lo’. Fomos para Bradenton, para a IMG Academy, onde não havia nada à nossa volta: apenas ténis, ginásio e um lugar para descansar. Dedicámo-nos completamente ao ténis e ao treino. Houve um dia em que acabámos de treinar às 20h30, depois de termos começado às oito da manhã. Foi realmente duro, mas é assim que funciona o desporto. Se não trabalhares arduamente, não consegues.

CONFIANÇA VOLTOU EM FORÇA

Depois daquela derrota, disse ao meu treinador que tinha todas as peças no meu ténis, mas que simplesmente não tinha conseguido juntá-las. Ele disse-me: ‘Vamos treinar muito, muito para te ajudar a juntar todas as peças’. E foi isso que fizemos. Aprendi muito sobre mim própria, sobre o ténis, sobre a vida, sobre tudo. Para mim, perder um encontro não é apenas ténis. Tem a ver com alguma coisa dentro de nós. Neste momento, o desafio mais importante para mim é manter esta humildade e estar ali, lutar como se não tivesse nada. Desta vez, venho da fase de qualificação, por isso digo a mim própria: ‘A realidade é que és a número 125. Já não és a top 10 que eras antes. Não te comportes como se estivesses tão acima. Estás aqui como todas as outras. Começas por baixo, por isso mantém-te aí e continua a lutar’.

Jornalista na TVI; Licenciado em Ciências da Comunicação na UAL; Ténis sempre, mas sempre em primeiro lugar.
Bola Amarela
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