Tsitsipas: «Passei por momentos tão maus que preferia nunca sequer falar deles»

Por Rodrigo Caldeira - Fevereiro 12, 2026

Dúvidas, incertezas e aquela sensação de impotência e falta de confiança que tanto podem penalizar um tenista. É isso que Stefanos Tsitsipas transmite, e as suas declarações após a derrota no ATP 500 de Roterdão 2026 reforçam essa mescla de sentimentos, juntamente com outros ainda mais complexos. O caso do grego dá que pensar e gera preocupação quanto ao futuro.

Alguns sinais positivos e lufadas de ar fresco pareciam acompanhar o arranque de temporada de Stefanos Tsitsipas, mas a sua passagem pelo primeiro Grand Slam do ano voltou a levantar dúvidas em torno do seu rendimento, agora acentuadas pela derrota nos oitavos de final do ATP 500 de Roterdão 2026. O grego não conseguiu superar Botic Van de Zandschulp, mas, acima de tudo, não conseguiu superar-se a si próprio, o seu maior adversário neste momento.

RECONSTRUIR O SEU TÉNIS 

“Tenho muitas coisas a melhorar, sinto que preciso de reconstruir o meu ténis por completo e tenho de treinar arduamente e dispor de tempo para o conseguir. A única coisa positiva é que não senti qualquer dor, não há nenhum problema físico pelo meio e isso é muito importante. Estou insatisfeito com o meu serviço, não posso dar tanta margem aos adversários para que me pressionem. Não sei, o ténis é estranho. Apercebemo-nos de certas coisas um pouco tarde durante um jogo e isso pode custar-nos a derrota”

SER FELIZ A JOGAR TÉNIS 

“Neste momento, posso dizer que sou feliz a jogar ténis. Voltar à competição livre de problemas físicos dá-me maior clareza quanto aos meus objetivos e expectativas, além de me permitir pensar a longo prazo. Isso é impossível quando tens de lidar diariamente com dores e lesões. Adoro esta vida, sinto uma grande paixão por tudo o que implica entrar em campo e deixar a alma para ganhar; farei o que for necessário para regressar ao meu melhor nível”

DESGASTE MENTAL E FÍSICO 

“Nunca paramos, é assim o ténis profissional, e não é uma queixa, é simplesmente a realidade. O circuito oferece-nos grandes oportunidades, ganhamos muito dinheiro, vivemos experiências fabulosas e muitos dirão que depende de nós onde e quando jogar. Mas há ocasiões em que não podes recuar e vês-te obrigado a cumprir certos compromissos, como com patrocinadores”

MENTALIDADE POSITIVA 

“O que é claro é que a saúde é o mais importante. Digo-o com conhecimento de causa, porque passei por fases tão difíceis na minha vida recentemente que preferia nunca sequer falar delas. Agora posso dizer que estou num bom momento, sinto que estou na direção certa e bastante tranquilo a nível mental. Quero desfrutar do circuito, sem sentir que o dia a dia é uma batalha contra o meu corpo”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.