Tenista australiano com quase 100 vitórias ameaça registos históricos numa temporada memorável

Por Tomás Almeida - October 24, 2026

Uma das histórias mais épicas da temporada de 2026 tem um claro protagonista, pouco conhecido para o público em geral, que se dá pelo seguinte nome: Matthew Dellavedova.

Matthew Dellavedova, tenista australiano de 26 anos, começou a temporada fora do top 500 e no início desta semana quebrou pela primeira vez a barreira do top 250. Este jogador está a competir quase sem pausas desde os primeiros dias do ano, sendo que descansou apenas, imagine-se, uma semana!

A sua inacreditável aventura de 2026 tem sido desenhada pelo continente asiático e em provas do World Tennis Tour (terceiro escalão de torneios do circuito profissional), mas vamos a números para que realmente possam entender, de facto, a caminhada que o atleta australiano tem vindo a traçar na presente época.

Por esta altura, Matthew Dellavedova vai com 98 vitórias e 9 títulos distribuídos por países como China (7), Coreia do Sul (1) e Japão (1).  As restantes vitórias, não culminadas em troféus ao domingo, abrangeram Tailândia, Vietname, Austrália e Taiwan. Quase uma centena de vitórias e ainda estamos a mais de um mês do final da temporada.

Esta semana, Dellavedova encontra-se a disputar o M25 de Tamworth, na Austrália, onde já está nos quartos de final e, caso garanta a sua 15.ª final de 2026, atinge as 100 vitórias e torna-se no primeiro jogador desde 1982 a conseguir lograr tal raro feito (o norte-americano Andre Agassi foi o último a conseguir fazê-lo).

O tenista natural de Wonga Park, região localizada perto de Melbourne, continua numa busca incessante por vitórias e consequentemente por pontos para garantir a entrada na fase de qualificação do Australian Open, algo que, a acontecer, se tratará da sua segunda participação em torneios do Grand Slam (perdeu na primeira ronda do qualifying em 2025).

Esta história de superação torna-se ainda mais encantadora se pensarmos que começou o ano com quatro derrotas em cinco encontros e, com isso, optou por mudar totalmente os planos, focando atenções no continente asiático em vez de seguir para a Europa disputar torneios Challenger. Somou, como é natural, várias derrotas ao longo dos últimos meses, mas a chave de todo o sucesso está mesmo no brutal número de jogos disputados.

Matthew Dellavedova chegou mesmo a admitir recentemente que a decisão de permanecer na Ásia se deveu principalmente a razões económicas. Era a única coisa que “fazia sentido”. Matthew começou a amealhar triunfo atrás de triunfo e construiu o seu ranking sem tomar grandes prejuízos a , ficando relativamente perto de casa, embora não se deva subestimar as distâncias.

Nos últimos dias, aconteceu algo peculiar que, quando contado pelo próprio, ganha contornos ainda mais emocionantes. “Depois do Qian Daohu [onde conquistou o nono e último título], tive que ir para casa e foi difícil. Eu joguei a final do torneio no domingo e precisava de apanhar pegar o único comboio que me fazia levar até Xangai. Esse comboio partia às 14h30 e a final era às 10 da manhã, ou seja, sabia que, se a final fosse para três sets, era muito provável que o perdesse e, portanto, o voo para a Austrália ficaria sem efeito. Além disso, aquele domingo [18/10] era o 30º dia do meu visto chinês, então eu sabia que, se não apanhasse aquele comboio, teria problemas.”, começou por contar.

A verdade é que Dellavedova resistiu bem à pressão, venceu em dois sets e obteve um final feliz de uma história que poderia tê-lo deixado em grandes sarilhos com as autoridades chinesas. “Foi um dia brutal. Ganhei a final, apanhei o comboio, depois um voo para Sydney, não dormi nada nesse voo, e depois uma viagem de cinco horas até Tamworth [cidade onde se joga o torneio desta semana]. Felizmente, o meu primeiro jogo foi na quarta-feira e o meu corpo conseguiu recuperar.”, enfatizou em tom de alívio.

A minha paixão pelo ténis começou aos 10 anos e desde então tem crescido dia após dia. Já deixou de ser um mero desporto para mim, enquanto consumidor de tudo um pouco, ... bem, talvez nunca tenha sido... Estou aqui para continuar a ser surpreendido e a aprender com algo único e incomparável como o ténis. Hoje em dia não me consigo imaginar a viver sem a bola amarela no canto do olho. Quero seguir neste mundo e fazer dele o meu futuro, crescendo com todas as aprendizagens adquiridas a partir de valiosas experiências. Continuem desse lado!
Bola Amarela
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