Swiatek: «Por vezes, não é fácil desfrutar de jogar ténis»

Por Rodrigo Caldeira - July 1, 2026
Swiatek

Iga Swiatek iniciou a defesa do título em Wimbledon 2026 com uma vitória muito trabalhada frente a Taylor Townsend. A polaca precisou de três sets para ultrapassar uma das adversárias mais incómodas do quadro em relva, num encontro em que alternou momentos de grande qualidade com outros de muitas dúvidas, sobretudo no serviço.

No final da partida, Swiatek reconheceu que regressar ao Court Central de Wimbledon como campeã em título lhe trouxe uma carga emocional muito significativa. A polaca explicou como conseguiu reagir após um complicado segundo set, falou dos problemas que tem sentido no serviço ao longo desta temporada e confessou o quão especial foi ter o pai e a irmã nas bancadas a assistir à sua estreia.

DEFENDER O TÍTULO

“Defender o título nunca é fácil. No ano passado vivi aqui provavelmente o momento mais incrível de toda a minha carreira e hoje voltei a sentir muitas dessas emoções.

Havia uma mistura de sensações muito difícil de gerir. Sabia que muita gente estava à espera deste jogo e que tudo começava de novo neste court. É uma sensação estranha porque, no fim de contas, não deixa de ser um jogo de ténis, mas Wimbledon tem algo de especial.

Queria que toda a gente desfrutasse do momento e também queria desfrutar eu própria, embora jogar ténis por vezes não torne isso fácil. No final estou muito feliz por ter vencido e por ter outra oportunidade para voltar a jogar neste court.”

IMPORTÂNCIA DO SERVIÇO 

“Acho que, em alguns momentos, fico simplesmente um pouco mais tensa e nem sempre é fácil libertar-me dessa tensão. O serviço é provavelmente o gesto mais complexo do ténis e é muito fácil que deixe de funcionar durante alguns jogos.

O mais importante para mim foi que consegui voltar a servir bem no terceiro set. Sei mais ou menos o que fiz mal e agora preciso de ter mais clareza nesses momentos para reiniciar mentalmente e voltar a servir com a qualidade que tenho nos treinos e que também mostrei no início do encontro. É um problema técnico ou mental? No ténis, tudo está ligado.”

DINÂMICA DOS TERCEIROS SETS 

“Pensei nisso durante um momento, mas quando estás em court não tens tempo para pensar demasiado. Queria simplesmente mudar essa dinâmica e sentia que este era o momento para o fazer.

Durante boa parte da temporada, custou-me aceitar que alguns sets me escapavam das mãos. Hoje, pelo contrário, encarei o terceiro com muito mais calma. Sabia perfeitamente como tinha de jogar e apoiei-me nisso.

Também percebi que não podia continuar a pensar nos erros do segundo set porque ainda havia outro por disputar. Sentia que o meu ténis ainda estava lá; só precisava de ser um pouco mais precisa, arriscar menos e começar bem o terceiro parcial.

Além disso, a Taylor elevou muito o nível. Começou a pressionar mais, subiu melhor à rede e também me obrigou a cometer erros. No ténis há sempre duas jogadoras em court e isso também tem de ser tido em conta.”

JOGAR CONTRA TOWSEND 

“Sabia que tinha de estar preparada desde a primeira ronda para jogar a um nível muito alto. A Taylor é uma jogadora que percebe muito bem como jogar em relva e isso nota-se bastante.

Por um lado existe mais pressão porque sabes que não te podes dar ao luxo de começar devagar. Mas, ao mesmo tempo, também aceitas que a adversária pode jogar muito bem e que nem tudo depende de ti. Ela também pode fazer pontos extraordinários e, de certa forma, isso também te liberta um pouco da pressão.”

EMOÇÃO EM COURT 

“Quando mais pessoas do meu círculo estão em alguns torneios, às vezes sinto um pouco mais de expectativas, mas desta vez estavam apenas as duas pessoas mais importantes para mim.

Não senti pressão porque sei que estão aqui para me apoiar. A minha irmã entende perfeitamente como me sinto em momentos como este. Além disso, eles também queriam viver a experiência de estar no Royal Box. Não acontece muitas vezes e fez-me muita vontade que pudessem desfrutar. Acho que até para eles foi um dia bastante stressante. Estou muito feliz por tudo ter terminado de forma positiva e por eles também poderem desfrutar deste momento.”

Apaixonado por desporto no geral, o ténis teve sempre presente no topo da hierarquia. Mas foi precisamente depois de assistir à épica meia-final de Wimbledon em 2019 entre Roger Federer e Rafael Nadal, que me apaixonei e comecei a acompanhar de perto este fabuloso desporto. Atualmente a estudar Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa.
Bola Amarela
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